Mostrando postagens com marcador Jorge Holetz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jorge Holetz. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Protegendo o Inimigo em Blu-ray

O diretor Daniel Espinosa, filho de um chileno com uma sueca, faz sua estreia em Hollywood com Protegendo o Inimigo e se sai bem.

Protegendo o Inimigo (Safe House) é um filme com personagens manjados e reviravoltas esperadas, mas é uma boa sessão de ação. O filme nos remete a outro filme com a mesma premissa Dia de Treinamento. Aqui temos novamente Denzel Washington (Tobin Frost) vivendo o cara descolado, de fala mansa e arroubos de violência, que ensina algumas lições de hombridade para o jovem novato, vivido por Ryan Reynolds (Matt Weston). Matt é o "zelador" de uma casa secreta da CIA na África do Sul, para onde são levados prisioneiros perigosos. Matt espera há meses ser promovido para sair logo daquele buraco. Mal imagina ele que, quando chega para ser interrogado na casa o lendário Tobin Frost, ex-integrante da CIA que agora é caçado como traidor, sua rotina nunca mais será a mesma e ao longo do filme, ele aprenderá como-é-duro-ser-um-agente-da-CIA-de-verdade, segundo Tobin.

A primeira meia hora da produção é excelente. Apresenta bem os personagens e muita ação. A trama se propõe a algumas reviravoltas previsíveis, o que acaba prejudicando o desempenho final. Ainda assim, merece elogio pela construção da relação entre Matt e Tobin. Reynolds e Washington possuem uma boa química e são ajudados por um roteiro que privilegia a dinâmica entre a dupla.


O ritmo de Protegendo o Inimigo é acelerado o suficiente pra suprir essas situações-clichê que ocorrem ao longo do filme. A fotografia saturada de Oliver Wood, e a granulação, que parece aumentar o calor da África do Sul, combinam com o caos. Oliver Wood, que trouxe toda sua experiência da trilogia A Identidade Bourne trouxe alguns elementos do cinema de Paul Greengrass para as sequências de ação. Outro ponto que impressiona são as  cenas de lutas corpo a corpo, principalmente no que diz respeito a brutalidade e a naturalidade.

Ryan Reynolds também merece um reconhecimento. Assim como Ethan Hawke em Dia de Treinamento, ele corre atrás e mantém o pique pra não ser engolido por Denzel Washington e consegue, nem que seja por um instante, apagar a imagem de galã asséptico e convencer como herói de ação.

Curiosamente, a produção foi pensada para ser filmada nas favelas do Rio de Janeiro, mas os realizadores acabaram desistindo por questões de logística e segurança.

Em seu primeiro projeto nos Estados Unidos, Daniel Espinosa já se apresenta como um cineasta a ser observado. Além de mostrar talento na direção, ele teve o mérito de se cercar de pessoas muito competentes no desenvolvimento de um ótimo filme.

O Blu-ray lançado pela Universal traz as faixas de áudio em 5.1 DTS-HD MA – Inglês, DTS Surround 5.1 - Português  e DTS Surround 5.1 – Espanhol e opções de legendas em Português, Espanhol, Inglês SDH.
A belíssima fotografia do filme esta em  Widescreen Anamórfico 2.40:1 com resolução de 1080p.

Esta edição vem com extras caprichados, veja a lista abaixo;
* A Produção de Safe House 
* Ação Mano a Mano 
* Filmando o Ataque de Safe House 
* Construindo a Perseguição no Telhado 
* Por Trás da Ação 
* Dentro da CIA 
* Porto Seguro: Cidade do Cabo 
* Mais - Controle-U - Picture in Picture / Explorador de Cena em Trechos Selecionados do Filme 




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os Agentes do Destino em Blu-ray

Livremente baseado no conto The Adjustment Team (1954), de Philip K. Dick (1928-1982), do qual também são as historias de Blade Runner, O Vingador do Futuro e Minority Report: A Nova Lei, este aborda o tema ou conflito entre livre arbítrio e predestinação, tema tão discutido e debatido por filósofos, teólogos e em conversas de botequim que afinal é o grande dilema da vida. A pergunta é “Você pode fazer as suas escolhas ou tudo já esta escrito e você pode apenas virar as paginas do seu livro?". Não tive a oportunidade de ler o conto original, mas segundo informações o filme usa apenas uma sombra da premissa da obra original.

Philip K. Dick escrevia sob a influencia de drogas e via com enorme pessimismo o futuro. Para Hollywood, o autor é excelente fonte de ideias para seus roteiros cinematográficos, mas o desenvolvimento delas é sempre alterado de um modo positivo para agradar o grande público.

O filme começa com a campanha do congressista David Norris (Matt Damon) um carismático político prestes a ganhar o seu lugar no Senado Americano. Conhece então, Elise Sellas, uma linda dançarina de ballet, que acredita ser a mulher dos seus sonhos. Porém na manhã seguinte ao encontro ao entrar em seu escritório, ele descobre seus colegas paralisados por um grupo de engravatados de chapéu. Começa então uma corrida entre o político e esses "agentes do destino", que são categóricos ao afirmar: ele jamais poderá entrar em contato com a mulher novamente, já que jamais deveria tê-la encontrado.

Nas mãos do estreante na direção George Nolfi, que foi roteirista de O Ultimato Bourne essa proposta fica ainda mais óbvia. Nunca no cinema ficou tão evidente que uma ideia criada por K. Dick pareceu estar tão preocupada em agradar. Os Agentes do Destino é muito mais um romance adocicado do que ficção científica filosófica como Blade Runner ou Minority Report.

Apesar disso, há algumas boas cenas, como a perseguição usando os portais de atalho, que brinca com a percepção de espaço e a claustrofobia dos espaços exíguos de Manhattan - passando de maneira chocante de um corredor apertado para o enorme vão do estádio dos Yankees. Como disse apesar da ação e correria, o foco do filme é mesmo na tentativa de relação entre David e Elise e a subsequente discussão sobre predestinação e amor.

Em geral as mulheres não curtem filmes de ficção cientifica, mas neste caso esta é uma sci-fi para ver em casal, abrangente e inofensiva.

Quem marca presença no filme é o ator londrino Terence Stamp (Thompson), que foi um ícone sexual da década de 1960, namorou estrelas famosas tais como Julie Christie e Brigitte Bardot, além da modelo Jean Shrimpton. Foi escolhido pela revista Empire como uma das 100 estrelas mais sexys da história do cinema e teve grandes interpretações em filmes como O Colecionador, Superman (General Zod), Teorema e As aventuras de Priscilla, a Rainha do Deserto.

Bem vamos falar sobre o Blu-ray:

O áudio original em inglês está em DTS-HD MA 5.1 e os demais em DTS Surround 5.1 (Português,Espanhol,Tcheco,Polonês e Húngaro) temos legendas nos idiomas -  Inglês, Português, Croata, Tcheco, Húngaro, Polonês, Romeno, Esloveno, Tailandês, Turco.

 O filme apresenta uma bela imagem em Widescreen 1.85:1.

O Blu-ray tem uma boa dose de extras para diversão dos cinéfilos conforme abaixo:

The Labyrinth of Doors: with this interactive map of New York City, explore the intricate network of portals to leap from location to location, and go behind the scenes with cast and crew ( O Labirinto de Portas);

Deleted and Extended Scenes (Cenas deletadas e extendidas);

Leaping Through New York (Saltando por Nova York);

Destined To Be (Destinado a Ser);

Becoming Elise (Tornando-se Elise);

Feature Commentary with Writer/Director George Nolfi (Comentário do Roteirista e Diretor George Nolfi).

Livraria Catarinense:

sábado, 7 de dezembro de 2013

Maior parte dos filmes mudos dos EUA se perdeu, revela estudo

 Quase três quartos dos filmes de longa metragem mudos dos Estados Unidos foram perdidos, e o legado que pôs Hollywood na linha de frente da indústria do cinema de 1912 a 1929 está em perigo, informou a Biblioteca do Congresso nesta quarta-feira.

O primeiro estudo abrangente dos filmes de longa metragem norte-americanos da era do cinema mudo divulgado pela Biblioteca do Congresso apresenta um quadro angustiante. Setenta por cento dos filmes mudos foram perdidos.

Clássicos como "O Grande Gatsby", de 1926, a versão de 1917 de "Cleópatra" e "London After Midnight", com o ator Lon Chaney, de 1927, estão entre os filmes considerados perdidos em sua forma completa.

"A Biblioteca do Congresso pode agora informar com autoridade que a perda de filmes norte-americanos da era do silêncio constitui uma perda alarmante e irrecuperável para a história cultural de nossa nação", disse James H. Billington, da Biblioteca.

Cerca de 11 mil filmes com origem nos EUA foram lançados entre 1912 e 1929. Somente 14 por cento, ou uns 1.575 títulos, existem em seu formato original de 35 mm.

Cinco por cento dos que sobreviveram estão incompletos e 11 por cento dos completos estão no formato de baixa qualidade de 28 mm ou 16 mm, ou e
m versões estrangeiras, de acordo com o estudo.

Reuters

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Efeito Dominó (2008)

O australiano Roger Donaldson é um bom diretor e em minha opinião seu melhor filme foi Rebelião em Alto-mar um remake dos filmes O Grande Motim de 1935 e O Grande Motim de 1962, para o qual escalou Mel Gibson e Anthony Hopkins. Este filme lhe valeu a indicação à Palma de Ouro em Cannes.

Como o filme era estrelado por Jason Statham, fiquei ainda mais receoso de assistir uma grande bobagem com muita pancadaria e pouco cérebro. Mas amigos por fim acabei tendo uma boa surpresa.

Em Efeito Dominó, Donaldson nos conta uma história baseada num acontecimento verídico que ocorreu em setembro de 1971 – o assalto a um banco na Rua Baker, em Londres. Sendo que este caso até hoje não foi solucionado pela eficiente policia londrina. É impossível dizer o quanto desta história é real e quanto é inventado afinal, misturaram-se fatos, ficção,e os poucos artigos existentes da época com muita fofoca acumulada ao longo de quase quatro décadas. O que se sabe é que o caso teve na época a atenção maciça da imprensa, tempo mais tarde, o governo arbitrariamente proibiu tocar no assunto.

Na história de Efeito Dominó (The Bank Job) acompanhamos Terry (Jason Statham), um homem com
passado suspeito, que repentinamente se vê diante de uma oportunidade única em sua vida: é convidado pela linda Martine (Saffron Burrows) para liderar um assalto sem erros, pistas ou rastros. O alvo são cofres pessoais em um grande banco, repleto de milhões em dinheiro e joias. Mas o que Terry e sua equipe não sabem é que esses cofres também guardam grandes segredos, que poderá envolvê-los em uma perigosa rede de corrupção e escândalos, com o alto escalão do governo, a máfia e até a família real.

O que me agradou foi à historia ser contada com uma rara simplicidade e desenvoltura, com um elenco eficiente e uma trama bem amarada, que faz desse filme um ótimo thriller.

Grande parte do sucesso do filme se deve aos roteiristas Dick Clement e Ian La Frenais que enriqueceram os fatos ocorridos recheando a história com uma infinidade de subtramas que se interligam em volta da família real britânica, políticos corruptos, o Serviço Secreto Britânico, Gângsteres e um reacionário claramente inspirado em Malcom X, numa mistura de traficante e idealista. A história é bem ambientada, com uma boa trilha sonora.

Efeito Dominó é um ótimo exemplar de filme de assalto a banco, transposto com inteligência e envolvimento. A trama resultante é verossímil e agrada aos fãs do gênero, já que segue as suas regras, mantendo o suspense do início ao fim, e desenvolve suficientemente bem os personagens.

Assisti ao filme em DVD lançado pela Imagem Filmes, que não mutilou a imagem coisa normal em alguns dos filmes distribuídos por ela, deste modo temos a imagem em Widescreen Anamórfico 16:9 e áudio com as opções Português (Dolby Digital 2.0), Inglês (Dolby Digital 2.0) e Inglês (Dolby Digital 5.1). Como extras temos entrevista com a equipe, Slide Show e Trailer.

Livraria Catarinense


domingo, 1 de dezembro de 2013

Apos 30 anos Vidas sem Rumo ganha bela versão em Blu-ray

Em um subúrbio da pequena cidade de Tulsa, Oklahoma, Ponyboy Curtis (C. Thomas Howell) é o caçula de uma turma, formada ainda por Darrel Curtis (Patrick Swayze) e Sodapop Curtis (Rob Lowe). Os três órfãos tentam sobreviver onde tudo se restringe a "mexicanos pobres" e "ricaços". A trinca descende de mexicanos, amarga empregos em postos de gasolina e sofre com a perseguição da polícia. Também fazem parte da gangue Dallas Winston (Matt Dillon) e Johnny Cade (Ralph Macchio), ainda um projeto de marginal. Eles tentam vencer e amadurecer enfrentando os ricos, mas nem tudo acontece como eles planejam. Os acontecimentos são vistos pela ótica Ponyboy, que gosta de poesia e "...E o Vento Levou".

Em Vidas Sem Rumo Coppola conseguiu um feito de reunir C. Thomas Howell, Matt Dillon, Ralph Macchio, Patrick Swayze, Rob Lowe, Tom Cruise e Emilio Estevez, e só quem viveu nos anos 80 pode entender a amplitude deste façanha. Não que na época, eles já fossem ídolos, estavam apenas começando. Mas, ao adaptar o livro The Outsider, Coppola não apenas lhes deu uma chance de suas vidas, como demonstrou uma visão incrível de quais seriam os nomes da próxima geração de Hollywood,principalmente, Tom Cruise, que fazia apenas uma ponta na trama, mas se tornou um dos maiores astros de Hollywood.
Por não ter sido um filme com apelo comercial lembro que vi o filme na sessão de Arte do Cine Busch, que meu falecido pai lutava para manter e assim dar oportunidade a comunidade Blumenauense de ver filmes do circuito alternativo.Eu devia ter entre 23 ou 24 anos quando Vidas sem Rumo (mais conhecido no seu título original, The Outsiders), o mesmo foi lançado no Brasil em julho de 1984. Naquela época, os filmes chegavam no Brasil com certo atraso e em Blumenau nem se fala. Vidas sem Rumo é de 1983 e completou trinta anos em março, quando estreou nos cinemas americanos. Lembro que assisti a este belo drama dirigido por Francis Coppola e muito mexeu comigo. Ao revê-lo, recentemente em Blu-ray, percebi que algumas coisas ficaram marcadas para sempre, como o cabelo tingido de loiro do personagem Ponyboy ou ótimo casting que o realizador escolheu. Quase todos os atores viraram astros ou, em algum momento de suas carreiras, tiveram seu lugar ao sol.
Vidas Sem Rumo, apesar de tratar de temas fortes, como discriminação, pobreza e racismo, o roteiro do filme é bastante poético, ingênuo até. Isso devido à escolha da visão do narrador, o protagonista Ponyboy, que é mesmo um garoto bastante ingênuo e sensível. Adora poesia e "E O Vento Levou", não apenas o filme, mas, principalmente o livro, que carrega em boa parte da trama consigo, tendo momentos em que o lê para o amigo Johnny. Então, apenas acompanhamos essa trajetória sem muito rumo ou sentido mesmo. Apenas uma história de descoberta em uma fase-chave da vida. 

Bem amigo leitor e o Blu-ray de Vidas sem Rumo, é o que posso dizer um item de colecionador. Diferente da versão que vi no cinema a Universal fez uma belíssima restauração e você pode curtir as cores da belíssima fotografia nesta na versão em Blu-ray. Outro ponto forte é o som e a imagem, que foram remasterizados, têm qualidade infinitamente superior à projeção das salas dos anos 80. Segundo: Coppola, em 2005, decidiu acrescentar 23 minutos ao filme original, dando à trama um ganho emocional e familiar que havia sido extraído do corte final. Esta é versão que saiu em Blu-ray denominada Edição do Colecionador, que, além da nitidez impressionante por causa da alta definição, traz de volta a luz da belíssima fotografia.

Os extras também são muito bacanas, embora não tenha nenhum material inédito para o Blu-ray. Mas é delicioso ver como os atores C. Thomas Howell, Ralph Macchio, Patrick Swayze e Diane Lane reagiram ao ver a nova versão de Vidas sem Rumo, mais de vinte anos depois das filmagens – e num projetor numa sala da mansão de Coppola.




sábado, 30 de novembro de 2013

POSSUÍDOS (1998) - Blu-ray

Após a execução do serial killer Edgar Reese (Elias Koteas) na câmara de gás, o policial e detetive John Hobbes (Denzel Washington) acredita que parte dos seus problemas terminaram, mas logo repara que pessoas na rua cantam a mesma melodia, Time Is On My Side, dos Rolling Stones, que o criminoso cantou na sua execução. A partir desse ponto, o policial conclui que todos estavam possuídos por Azazel, um anjo amaldiçoado que não tem forma mas que com um simples toque consegue penetrar em quase todas os seres vivos. Quando Hobbes é forçado a m
atar um professor, que estava possuído pelo espírito, fica claro que ele precisa proteger as pessoas desta entidade demoníaca.

Possuídos é um filme surpreendente.Talvez um dos melhores filmes de terror realizados nos anos 90. Na verdade, é tão surpreendente que você só percebe que havia algo a descobrir quando o filme acaba. Pois este não é um policial como Os Suspeitos ou Copycat. Aqui, você já sabe quem é o assassino, como ele age e até mesmo imagina como o detetive deve resolver a questão. E, no entanto, ainda consegue ser pego de surpresa.

A partir de premissa interessante, a luta de Hobbes para derrota o demonio Azazel,o roteiro de Nicholas Kazan vai nos envolvendo em uma história tensa e mais complexa do que parecia inicialmente.Além de um roteiro extremamente inteligente e bem escrito, o filme conta, ainda, com a direção segura de Gregory Hoblit, que já realizou o também instigante As Duas Faces de um Crime, e com as atuações poderosas de Washington, John Goodman e Donald Sutherland (este último fazendo, mais uma vez, o tipo estranhamente suspeito que se tornou sua especialidade).

O filme não fez muito sucesso nos cinemas,na época de seu lançamento talvez por seu título brasileiro. Já deve existir mais de trezentos filmes com esse título. O título original, “Fallen”, na verdade faz menção a Azazel um “Anjo Caído”.

Existem duas sequencias, em particular, que me impressionaram bastante: aquela em que Washington é confrontado por diversos transeuntes que tocam uns nos outros para `transmitir` o espírito de Azazel e aquela em que a personagem de Embeth Davidtz é perseguida pelo `demônio` que, ao invés de simplesmente correr atrás dela, vai se deslocando através dos corpos das pessoas que estão andando na rua, como um efeito dominó. A cena é tensa e inventiva. Na verdade, é uma das melhores perseguições que já vi.

 O diretor Gregory Hoblit, que depois realizaria mais tarde o ótimo Alta Freqüência, com Dennis Quaid e James Caviezel, mostra uma perfeita habilidade ao unir a trama policial, com os acontecimentos sobrenaturais.

Possuídos ainda possui uma bela fotografia e uma excelente direção de arte (observem como o `tom` do filme vai mudando durante o transcorrer da história, de uma cidade clara e calorenta até o inverno sombrio das montanhas). Além, é claro, da música-tema Time Is On My Side, dos Rolling Stones, que é cantada por todos aqueles que entram em contato com Azazel.Ao final do filme, você já ouviu tanto essa canção que é quase impossível tira-la de sua cabeça.Além da letra da mesma ter uma mensagem do sarcasmo do proprio Azazel.

A edição nacional em Blu-Ray Disc, pela Warner Home Enterteinment, traz o filme no formato widescreen (16x9), com áudio DTS-HD Master 5.1 (em inglês) e Dolby Digital (em espanhol e português). Como extras traz apenas o trailer e comentários do diretor, do roteirista e do produtor. 124 minutos.

Merecia uma edição melhor.

Livraria Catarinense

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Morre o cinema

Dizer que o cinema morreu com a morte de Herbert Holetz poderá parecer, à
primeira vista, afirmação hiperbólica. Morreu sim, em parte, em Blumenau e em outras cidades. Ele gerenciou cinemas aqui (Busch e Blumenau), em Gaspar e Joinville.
Herbert tomava café, almoçava e jantava cinema, portanto, convivia com ele 24 horas por dia. Já escrevi isto algumas vezes. Da mesma maneira, afirmei que virei cinéfilo já no berçário. Mas ele me superou e quanto!
Doente, mais grave na segunda metade de 2013, preocupava-se com o andar do seu Cinearte, projeto comemorando 10 anos de vida, instalado na Fundação Cultural de Blumenau. Fundou-o com o objetivo maior de levar ao público, gratuitamente, clássicos, filmes raros.

Jorge, seu filho, contou-me que, num domingo à tarde, teria dito: - “Preparem-se que vou embora logo. Ontem, recebi visita de uns amigos que virão buscar-me”. Brincando, imaginamos quem seriam esses amigos. Gary Cooper, John Wayne, Gregory Peck, Errol Flynn, por certo.

Afinal, a vida inteira respirou cinema. Preferia os filmes antigos, dessa turma citada aí em cima. Para os novos, torcia o nariz. Para ele, não se fazia mais cinema como antigamente. Uma e outra exceção: A última sessão de cinema, Cinema Paradiso (cujo protagonista, Alfredo, tinha muito a ver com nosso herói blumenauense)...

Com o aparecimento da televisão, mesmo preocupado, dizia que não temia a concorrência. Naquela época, os filmes eram lançados comercialmente e somente muito tempo depois alcançavam o vídeo. Holetz, num cartaz de um faroeste, acrescentou: “Este filme só será exibido na televisão daqui a 3 anos!”. Hoje, tal expediente seria inútil. A produção estreia na tela grande, e, quase de imediato, sai em DVD e pra telinha é um já.

Entendia que a sétima arte oferece muito mais do que a tela pequena: “Oferece tudo. Imagem, emoções, sentimentos. Dentro do cinema, você pode viver muitas coisas que na própria vida não poderia nem ver nem viver”. Para ele, o cinema continuava sendo a melhor, a mais instrutiva e a mais barata de todas as diversões.

A jornalista Magali Moser, no livro A vida pelo cinema – Herbert Holetz entre a realidade e a ficção, acha que após uma trajetória de lutas, conquistas e decepções, Holetz só iria sossegar quando o Museu Histórico de Cinema se tornasse realidade.


Coluna Prosa e Verso para o dia 16 de novembro

Gervásio Tessaleno Luz

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Fausto (1926) – Coleção Folha Grandes Livros no Cinema

Hoje vou falar sobre outro lançamento da parceria Folha de São Paulo/ Versátil Home Vídeo, o fascículo de nro.15, que nos traz o filme de 1926 – Fausto (Faust - Eine Deutsche Volkssage) baseado na obra de Goethe.

O filme com Mefistófeles fazendo uma aposta com um Anjo, dizendo-se capaz de corromper a alma de Fausto, afim de dominar o Mundo. Mefisto então lança uma praga sobre a terra, e Fausto, um velho alquimista que vê sua cidade ser assolada pela peste negra. Vendo tanta morte, começa a pensar sobre sua própria finitude. Ele então evoca Mefistófeles, e lhe pede sua juventude de volta e eterna. O demônio a garante, em troca da alma de Fausto. Tudo parecia perfeito, até este se apaixonar por uma jovem italiana.

Este foi o ultimo filme dirigido por Friedrich Wilhelm  Murnau (1888 – 1931), ou simplesmente F. W. Murnau, em sua terra natal a Alemanha, quando emigrou para Hollywood.

Fausto por não ser tão conhecido como outras obras do diretor, como, Nosferatu, Uma Sinfonia de Horrores (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens), de 1922, ou o aclamado Aurora (Sunrise) de 1927, mas é uma importante obra do cinema mudo e expressionista alemão, bem como do movimento Kammerspiel,  cujas principais características são: - Filmes com estética mais realista. - Roteiros com poucos diálogos. - Ao contrário do caligarismo, privilegia cenários mais realistas, mas sem abandonar aspectos subjetivos em sua concepção. - Iluminação sofisticada e movimentação de câmera mais rebuscada.

Fausto situa sua ação no final da Idade Média e Murnau concebe uma atmosfera mística a partir dos contrastes de iluminação, que remetem à pinturas de Rembrandt, ou seja o que vemos na tela são imagens de espantosa beleza. Murnau “imprime a cada uma dessas imagens, armando ao longo de cada cena uma sinfonia em que luz e sombras compõem um campo de batalha.” (Inácio Araujo, na Folha, 17/10/1993), caro leitor, devemos levar em conta que o filme foi feito em 1926.

O filme conta com nomes como Emil Jannings (Mefistófeles), o grande ator suíço, muito lembrado pelo clássico O Anjo Azul (Der Blaue Engel).onde trabalhou com Marlene Dietrich, que aqui mostra sua origem teatral e teve uma carreira promissora também em Hollywood terminada quando os filmes sonoros fizeram de seu forte sotaque alemão difícil de entender. Outro nome que se tornou famoso é o ator e posterior diretor William Dieterle, que se destacou em Hollywood na direção de filmes como A História de Louis Pasteur, Emile Zola e O Retrato de Jennie, que aqui vive o papel do jovem Valentin.

Bom, vamos falar do DVD. Esta edição esta infinitamente superior a do DVD lançado pela Continental que tinha uma qualidade de imagem ruim e como extra trazia de forma estática a Biografia de Emil Jannings e F.W. Murnau e uma coleção de fotos “ditas” raras. Já o DVD Folha/Versátil traz uma versão restaurada pela Friedrich Wilhelm  Murnau Stiftung . Quanto ao áudio, uma vez que este é um filme mudo, temos duas opções de trilha de fundo  sendo uma  a nova trilha sonora de Mont Alto em dolby digital 5.1 ou Perez de Azpeitia(piano) baseado na trilha de 1926, esta em dolby digital 2.0.


Como extra temos um ótimo documentário intitulado “Fausto, a linguagem das Sombras” de 52 min. que fala sobre o diretor e sua saga para produzir Fausto.

sábado, 21 de setembro de 2013

Personagem Principal

Protagonista do cinema em Blumenau, Herbert Holetz deixa herança de dedicação e amor aos filmes
Quando uma paixão é grande demais, ela pode durar toda uma vida, sem jamais perder o brilho. Foi assim com Herbert Holetz, memória e protagonista do cinema blumenauense. Mesmo nos últimos dias de vida, das forças que encontrava para falar rendiam histórias e lembranças cinematográficas. De olhos fechados, quando o sonho vinha à tona, a imaginação projetava seus filmes e personagens favoritos.

O jornalista e escritor Gervásio Luz conhece, pelo menos, uma dúzia de histórias sobre aquele que considera “uma entidade do cinema em Blumenau”. Com um sorriso triste no rosto, lamenta a morte do amigo:

– O romantismo do cinema morreu com ele. Holetz tomava café, almoçava e jantava cinema. Quando dormia, sonhava com os personagens dos seus filmes favoritos. Os amigos e a família do Holetz, além dos parentes, eram Cary Grant, Greta Garbo, James Dean, Marilyn Monroe... – diz Luz.

Por volta da 1h10min de ontem, a cultura blumenauense ficou órfã: Herbert Holetz foi embora. Aos 78 anos, o cinéfilo mais querido da cidade estava debilitado. Em outubro de 2012, teve diversas quedas e, durante uma cirurgia para reparar o fêmur quebrado, sofreu acidentes cerebrais vasculares (AVC).

Passou os últimos 15 dias internado no Hospital Santa Catarina. Lá, recebia visitas frequentes da esposa, Lori, com quem era casado há mais de 50 anos, e dos três filhos e quatro netos. Segundo o primogênito, Jorge, as conversas sobre cinema eram frequentes, mesmo nos últimos dias de vida do pai:

– Mesmo não conseguindo formar algumas frases direito, por causa das sequelas do AVC, ele ainda encontrava forças para falar dos filmes que amava tanto. Eu gosto de dizer que o meu pai não era um cara teimoso, era um cara obstinado. E ele foi assim até o último instante.

A obstinação nasceu quando ainda era criança, ao ser levado pela mãe a uma sessão pela primeira vez. Assim como o protagonista do clássico filme italiano Cinema Paradiso, Holetz era um menino quando decidiu que o cinema faria parte de sua vida para sempre. Na adolescência, teve contato com Reynaldo Olegário, do Cine Garcia, que o ensinou mais sobre a arte. Persistiu até conseguir trabalhar como lanterninha do Cine Busch, aos 17 anos. Tudo para assistir aos filmes. Por lá, trabalhou por 40 anos, onde foi desde lanterninha até gerente. Depois que o Cine Busch fechou as portas, em 1993, Holetz não foi mais ao cinema em Blumenau.

Sessão de cinema: um ritual

O filho Jorge não chora, por mais que os olhos se encham de lágrimas ao falar do pai. Em vez disso, o sorriso e a voz cheia de orgulho tomam conta dele, enquanto desfia elogios e conta histórias sobre a vida de Holetz:

– O maior desgosto dele foi quando eu trouxe um VHS para casa. Era sempre muito difícil fazer com que ele se adaptasse a essas mudanças do cinema, sabe? A arte corria pelas veias dele, era um amor de outro mundo – diz, emocionado.

Quando o assunto era uma sessão de cinema, conta ele, Holetz era severo: gostava de silêncio, respeito e disciplina. Para o cinéfilo, era como se a exibição do filme fosse um ritual sagrado.

– Ele não gostava, por exemplo, que mascassem chiclete durante o filme. Bagunça, então, nem pensar. Meu pai tinha um respeito muito grande pela sétima arte – relembra Jorge.

A diretora do Patrimônio Histórico e Museológico da Fundação Cultural, Sueli Petry, não hesita: diz que o amigo vai fazer muita falta.


– O Herbert era apaixonado pelo que fazia e também pela Fundação Cultural. Ele doou todo o acervo de filmes para nós, que está à disposição de qualquer pessoa. Para nós, a despedida dele representa a perda do conhecimento, da dedicação e do amor à arte de um grande homem – declara Sueli. (Colaborou Vinicius Batista)

Autora: CAMILA IARA

Fonte: Jornal de Santa Catarina