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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

DISTRITO 9 em Blu-ray

DISTRITO 9 (District 9), foi uma das grandes surpresas cinematográficas de 2009, esta produção de  Peter Jackson teve um baixo orçamento para um filme do gênero – custou apenas  30 milhões de dólares, um valor irrisório para Hollywood, e arrecadou esta quantia apenas no seu fim de semana de estreia. Beneficiado por críticas e propaganda boca a boca mais do que positivas, o longa tornou-se um sucesso artístico e comercial, obtendo três indicações ao Oscar 2010.

A parceria entre o produtor Peter Jackson e do diretor Neill Blomkamp resultou num dos filmes de ficção científica mais original dos últimos anos.

O filme com excelentes efeitos especiais e realismo impactante, trata do primeiro contato da humanidade com extraterrestres, que chegam a Terra aparentemente sem meios de retornar para seu mundo e acabam tendo de coexistir com a humanidade, exilados em uma favela nos limites de Johanesburgo, na África do Sul. Depois de tomar conhecimento do misterioso segredo da tecnologia bélica extraterrestre, um solitário humano (Sharlto Copley) passa a ser caçado pelas imundas vielas da favela alienígena e descobre o que significa ser um completo estranho em seu próprio planeta.

Através deste argumento Neill Blomkamp acaba referência direta a aspectos históricos e políticos da segregação racial que por décadas imperou na África do Sul, o que ganha força adicional pelo fato de o filme se passar em Johanesburgo e ser dirigido por um sul-africano. O diretor adota um estilo de falso documentário, e assim descobrimos, através de depoimentos “reais”, que a nave mãe dos ETs surgiu sobre Johanesburgo nos anos 1980, com seus tripulantes em péssimas condições de saúde. Como imigrantes ilegais, as criaturas foram confinadas na favela miserável chamada Distrito 9, onde vivem em condições precárias e são explorados por criminosos nigerianos.

DISTRITO 9 é um filme inteligente, provocante,  tecnicamente impecável com segmentos que não ficam nada a dever aos melhores filmes de ação de Hollywood. Se você o perdeu quando foi exibido nos cinemas, não deixe passar a oportunidade de vê-lo agora em casa, especialmente na alta definição do Blu-ray, uma vez que o filme foi rodado com a nova câmera de ultra definição (4K) “Red One”, possuindo uma imagem excelente, que coloca você bem no meio do ensolarado e estranho ambiente do Distrito 9.
Sobre o  Blu-ray

DISTRITO 9 é distribuído pela Sony. E segundo informações foi originalmente autorado para o mercado europeu, assim além de trazer ótimos extras todos legendados em português do Brasil, o Blu-ray é de um primor técnico impar. O espectador já consegue vislumbrar o capricho do BD capricho já no carregamento dos menus animados, onde você tem de optar pelo ícone “humano” ou “alienígena”. De acordo com a escolha, temos visuais diferentes nos menus. Como o filme foi rodado em alta definição de última geração, o que se reflete na espetacular imagem proporcionada na transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4 na proporção original de tela 1.85:1.  As cores são vibrantes e firmes, nesta bela transferência HD que pode ser considerada de referência.
 A qualidade do áudio é de primeira e temos mixagens Dolby Digital 5.1 nos idiomas espanhol, russo e ucraniano, e DTS-HD 5.1 Master Áudio em inglês e português.

 Os Extras

Se o Blu-ray de DISTRITO 9, na parte técnica, é excelente, também no que toca a extras merece elogios. E tudo está em alta definição (HD) e exceto pelos trailers, com legendas em português – inclusive o comentário em áudio.

· BD Live;
· Comentários do Diretor e Coautor Neill Blomkamp ;
· Johanesburgo Vista de Cima: Imagens de Satélite e Mapas de Distrito 9.;
· Cenas Excluídas (23:28min.) ;;
· A Agenda Alienígena: Diário do Cineasta (34:19min.) ;
· Metamorfose – A Transformação de Wikus (9:52min.) ;
· Inovação: A Atuação dos Atores e Improvisações em Distrito 9 (12:05min.) ;
· Concepção e Design: Criação do Mundo de Distrito 9 – (13:18min) ;
· Geração Alienígena: Efeitos Visuais em Distrito 9 (10:18min.) ;
· Trailers – Trailers de outros lançamentos da Sony em Blu-ray.

Livraria Catarinense

domingo, 1 de dezembro de 2013

Apos 30 anos Vidas sem Rumo ganha bela versão em Blu-ray

Em um subúrbio da pequena cidade de Tulsa, Oklahoma, Ponyboy Curtis (C. Thomas Howell) é o caçula de uma turma, formada ainda por Darrel Curtis (Patrick Swayze) e Sodapop Curtis (Rob Lowe). Os três órfãos tentam sobreviver onde tudo se restringe a "mexicanos pobres" e "ricaços". A trinca descende de mexicanos, amarga empregos em postos de gasolina e sofre com a perseguição da polícia. Também fazem parte da gangue Dallas Winston (Matt Dillon) e Johnny Cade (Ralph Macchio), ainda um projeto de marginal. Eles tentam vencer e amadurecer enfrentando os ricos, mas nem tudo acontece como eles planejam. Os acontecimentos são vistos pela ótica Ponyboy, que gosta de poesia e "...E o Vento Levou".

Em Vidas Sem Rumo Coppola conseguiu um feito de reunir C. Thomas Howell, Matt Dillon, Ralph Macchio, Patrick Swayze, Rob Lowe, Tom Cruise e Emilio Estevez, e só quem viveu nos anos 80 pode entender a amplitude deste façanha. Não que na época, eles já fossem ídolos, estavam apenas começando. Mas, ao adaptar o livro The Outsider, Coppola não apenas lhes deu uma chance de suas vidas, como demonstrou uma visão incrível de quais seriam os nomes da próxima geração de Hollywood,principalmente, Tom Cruise, que fazia apenas uma ponta na trama, mas se tornou um dos maiores astros de Hollywood.
Por não ter sido um filme com apelo comercial lembro que vi o filme na sessão de Arte do Cine Busch, que meu falecido pai lutava para manter e assim dar oportunidade a comunidade Blumenauense de ver filmes do circuito alternativo.Eu devia ter entre 23 ou 24 anos quando Vidas sem Rumo (mais conhecido no seu título original, The Outsiders), o mesmo foi lançado no Brasil em julho de 1984. Naquela época, os filmes chegavam no Brasil com certo atraso e em Blumenau nem se fala. Vidas sem Rumo é de 1983 e completou trinta anos em março, quando estreou nos cinemas americanos. Lembro que assisti a este belo drama dirigido por Francis Coppola e muito mexeu comigo. Ao revê-lo, recentemente em Blu-ray, percebi que algumas coisas ficaram marcadas para sempre, como o cabelo tingido de loiro do personagem Ponyboy ou ótimo casting que o realizador escolheu. Quase todos os atores viraram astros ou, em algum momento de suas carreiras, tiveram seu lugar ao sol.
Vidas Sem Rumo, apesar de tratar de temas fortes, como discriminação, pobreza e racismo, o roteiro do filme é bastante poético, ingênuo até. Isso devido à escolha da visão do narrador, o protagonista Ponyboy, que é mesmo um garoto bastante ingênuo e sensível. Adora poesia e "E O Vento Levou", não apenas o filme, mas, principalmente o livro, que carrega em boa parte da trama consigo, tendo momentos em que o lê para o amigo Johnny. Então, apenas acompanhamos essa trajetória sem muito rumo ou sentido mesmo. Apenas uma história de descoberta em uma fase-chave da vida. 

Bem amigo leitor e o Blu-ray de Vidas sem Rumo, é o que posso dizer um item de colecionador. Diferente da versão que vi no cinema a Universal fez uma belíssima restauração e você pode curtir as cores da belíssima fotografia nesta na versão em Blu-ray. Outro ponto forte é o som e a imagem, que foram remasterizados, têm qualidade infinitamente superior à projeção das salas dos anos 80. Segundo: Coppola, em 2005, decidiu acrescentar 23 minutos ao filme original, dando à trama um ganho emocional e familiar que havia sido extraído do corte final. Esta é versão que saiu em Blu-ray denominada Edição do Colecionador, que, além da nitidez impressionante por causa da alta definição, traz de volta a luz da belíssima fotografia.

Os extras também são muito bacanas, embora não tenha nenhum material inédito para o Blu-ray. Mas é delicioso ver como os atores C. Thomas Howell, Ralph Macchio, Patrick Swayze e Diane Lane reagiram ao ver a nova versão de Vidas sem Rumo, mais de vinte anos depois das filmagens – e num projetor numa sala da mansão de Coppola.




sábado, 30 de novembro de 2013

Contagio em Blu-Ray

Creio que Contagio deve ser visto como uma forma de alerta à sociedade, e assim ele funciona perfeitamente. Steven Soderbergh apresenta algumas cenas que são chocantes e impressionam de verdade, embora algumas vezes semelhanças e referências nos remetam a Ensaio sobre a cegueira sejam mais do que óbvias. A forma semi-documentarial que o cineasta escolheu para apresentar trechos de sua história contribui em muito para tornar o filme mais interessante. Contágio é um filme que consegue chocar, mas não é pesado demais para o grande público.

A grande pergunta do filme é "Quanto tempo dura um apocalipse?" Ja tivemos no cinema diversas visões de pós-apocalipse, o caos instalado, o panico e a luta dos sobreviventes, mas em Contagio  acompanhamos o processo que leva à desordem. Às vezes nem os heróis do fim do mundo, como o Rick Grimes de Walking Dead ou Cillian Murphy em Extermínio, sabem o que aconteceu - o apocalipse transcorre sem resistência, inercialmente, como um grande coma induzido.

Vamos usar por exemplo "a gripe suína", ela parecia uma doença que ameaçava o mundo de uma forma indescritível. Passado o pânico, percebeu-se que a mortalidade dessa doença era igual a das outras gripes comuns. É este cenário paranóico, que  é muito bem retratado em  Contágio, de uma forma bem mais avassaladora, mas não menos realista. A ideia de Contágio é contar não apenas como o apocalipse se aproxima e se estabelece, mas acompanhar a reação do cidadão comum e das principais instâncias de poder do mundo diante do fim iminente Ao mesmo tempo, Steven Soderbergh injeta inúmeras teorias de conspiração sobre a origem do vírus, tanto o lado bom e lado ruim de uma possível vacina e o que é mentira e o que é verdade sobre o assunto quando é posto na internet.

 O filme consegue equilibrar diversas tramas, numa verdadeira montanha russa de acontecimentos, nas quais, o diretor jamais deixa sair dos trilhos. Isso graças se deve também a um elenco estelar, em que cada um, interpreta um personagem que acaba desencadeando inúmeros acontecimentos colocados na tela, para então, ambos as personagens com os seus dramas pessoas em meio ao caos, se entrelacem um com os outros. De certo modo, é como se Soderbergh refizesse a pirâmide de hierarquias e responsabilidades que o diretor fez (e muito bem) em um dos seus  filmes clássicos, Traffic, mas numa chave muito mais alarmista.

O roteiro de Scott Z. Burns, autor de Ultimato Bourne que trabalhara com Soderbergh em O Desinformante, dá conta de vários personagens de forma bem satisfatória. Não há cenas descartáveis, todos os momentos com esses protagonistas têm algo a acrescentar, e ao mesmo tempo o roteiro não é expositivo em excesso. Mas  principal força de Contágio não está, porém, no roteiro, e sim na encenação. Soderbergh filma com enquadramentos "duros", de movimentos econômicos, e com a câmera à meia distância dos atores - um jeito aparentemente desapaixonado de encarar um tema tão dramático, mas esse estilo ajuda a dar ao filme um tom mais clínico. O distanciamento é uma boa forma, também, de valorizar os close-ups quando eles acontecem.

Steven Soderbergh encara o apocalipse com um misto de olho clínico e alarmismo

Por fim, Contagio é uma incrível aula de montagem onde o diretor passa em cada cena as inúmeras formas da pessoa pegar o vírus. O prólogo e o epilogo são um belo exemplo disso, onde faz também uma referencia explicita a teoria do caos ou simplesmente o efeito borboleta.

A edição nacional em Blu-Ray Disc, pela Warner Home Enterteinment, traz o filme no formato Widescreen 16:9,com áudio DTS-HD Master 5.1 (em inglês) e Dolby Digital 5.1(em espanhol e português). Como extras traz: A Realidade do Contagio; Os Detetives do Contagio e Contagio: Como um Virus Muda o Mundo.105 minutos.

POSSUÍDOS (1998) - Blu-ray

Após a execução do serial killer Edgar Reese (Elias Koteas) na câmara de gás, o policial e detetive John Hobbes (Denzel Washington) acredita que parte dos seus problemas terminaram, mas logo repara que pessoas na rua cantam a mesma melodia, Time Is On My Side, dos Rolling Stones, que o criminoso cantou na sua execução. A partir desse ponto, o policial conclui que todos estavam possuídos por Azazel, um anjo amaldiçoado que não tem forma mas que com um simples toque consegue penetrar em quase todas os seres vivos. Quando Hobbes é forçado a m
atar um professor, que estava possuído pelo espírito, fica claro que ele precisa proteger as pessoas desta entidade demoníaca.

Possuídos é um filme surpreendente.Talvez um dos melhores filmes de terror realizados nos anos 90. Na verdade, é tão surpreendente que você só percebe que havia algo a descobrir quando o filme acaba. Pois este não é um policial como Os Suspeitos ou Copycat. Aqui, você já sabe quem é o assassino, como ele age e até mesmo imagina como o detetive deve resolver a questão. E, no entanto, ainda consegue ser pego de surpresa.

A partir de premissa interessante, a luta de Hobbes para derrota o demonio Azazel,o roteiro de Nicholas Kazan vai nos envolvendo em uma história tensa e mais complexa do que parecia inicialmente.Além de um roteiro extremamente inteligente e bem escrito, o filme conta, ainda, com a direção segura de Gregory Hoblit, que já realizou o também instigante As Duas Faces de um Crime, e com as atuações poderosas de Washington, John Goodman e Donald Sutherland (este último fazendo, mais uma vez, o tipo estranhamente suspeito que se tornou sua especialidade).

O filme não fez muito sucesso nos cinemas,na época de seu lançamento talvez por seu título brasileiro. Já deve existir mais de trezentos filmes com esse título. O título original, “Fallen”, na verdade faz menção a Azazel um “Anjo Caído”.

Existem duas sequencias, em particular, que me impressionaram bastante: aquela em que Washington é confrontado por diversos transeuntes que tocam uns nos outros para `transmitir` o espírito de Azazel e aquela em que a personagem de Embeth Davidtz é perseguida pelo `demônio` que, ao invés de simplesmente correr atrás dela, vai se deslocando através dos corpos das pessoas que estão andando na rua, como um efeito dominó. A cena é tensa e inventiva. Na verdade, é uma das melhores perseguições que já vi.

 O diretor Gregory Hoblit, que depois realizaria mais tarde o ótimo Alta Freqüência, com Dennis Quaid e James Caviezel, mostra uma perfeita habilidade ao unir a trama policial, com os acontecimentos sobrenaturais.

Possuídos ainda possui uma bela fotografia e uma excelente direção de arte (observem como o `tom` do filme vai mudando durante o transcorrer da história, de uma cidade clara e calorenta até o inverno sombrio das montanhas). Além, é claro, da música-tema Time Is On My Side, dos Rolling Stones, que é cantada por todos aqueles que entram em contato com Azazel.Ao final do filme, você já ouviu tanto essa canção que é quase impossível tira-la de sua cabeça.Além da letra da mesma ter uma mensagem do sarcasmo do proprio Azazel.

A edição nacional em Blu-Ray Disc, pela Warner Home Enterteinment, traz o filme no formato widescreen (16x9), com áudio DTS-HD Master 5.1 (em inglês) e Dolby Digital (em espanhol e português). Como extras traz apenas o trailer e comentários do diretor, do roteirista e do produtor. 124 minutos.

Merecia uma edição melhor.

Livraria Catarinense

O Homem Que Fazia Filmes – Howard Hawks

No mundo de Howard Hawks, ou seja, no mundo retratado em seus filmes o que mais ele explorava era a competição e o companheirismo do mundo masculino, um exemplo clássico pode ser visto em Onde Começa o Inferno (Rio Bravo).

Durante 43 anos este mestre fez um filme por ano, transitando pelos mais variados gêneros, mas seus preferidos eram as comedias e os filmes de ação.

No inicio de sua carreira já podemos ver a criação do “universo Hawks” em Patrulha da madrugada (The Dawn Patrol) de 1930, um dos seus primeiros filmes sonoros, no qual ele retrada o dia a dia de uma esquadra que sobrevoa as trincheiras da Primeira Guerra Mundial já vemos cenas de ação muito avançadas para a época, sendo as mesmas quase um estado da arte.
Mas o grande segredo de Hawks não esta nas cenas de ação e sim nos seus diálogos, em Patrulha da madrugada é através do dialogo que um grupo de soldados bêbados e briguentos descobre o companheirismo.

Em Delirante (The Crowd Roars) de 1932, ele retrata a ação e a convivência dos pilotos de corrida com cenas fantásticas.

Mas neste mesmo ano ele faz seu clássico filme de Gangster – Scarface, A vergonha de uma Nação (Scarface) – mais tarde refilmado por Brian de Palma com Al Pacino. O filme era vagamente inspirado na vida de Al Capone, e estrelado por Paul Muni e George Raft. Uma das cenas mais famosas do filme acontece entre Muni e Ann Dvorak, no papel de sua irmã na qual intencionalmente Hawks sugere uma relação incestuosa. Este foi também o filme que deu fama a George Raft.

Hawks declarou que ao contrario de outros diretores nunca trabalhou sob o contrato de um único estúdio, pois queria ter a liberdade de recusar um trabalho se não gostava do mesmo ou pelo menos ter a liberdade de fazer as alterações que ele julgava necessárias.

Em 1934, ele queria fazer Suprema Conquista (Twentieth Century), sua primeira comédia pastelão, baseada na peça de Charles MacArthur e Ben Hecht , dois de seus roteiristas favoritos. O filme seria estreado pela então jovem atriz Carol Lombard e o veterano John Barrymore escolhido pelo próprio Hawks, que o convenceu a fazer o papel.

Hawks teve grande sucesso com a comedia, Levada da Breca (Bringing Up Baby) de 1938, estrelada por Katharine Hepburn e Gary Grant onde ambos estão envolvidos com uma onça que gera muitas confusões.

Em 1939, Hawks volta a ação misturada a comédia, em Paraiso Infernal (Only Angels have Wings),onde  Geoff Carter (Cary Grant) é proprietário de uma pequena e falida companhia aérea na América do Sul. Esta companhia transporta correio da cidade portuária de Barranca na Colômbia, sobre as montanhas da Cordilheira dos Andes. Bonnie Lee (Jean Arthur) é uma pianista que quando chega a cidade se apaixona por Carter, apesar de sua profissão perigosa; Bonnie resolve ficar em Barranca (não a convite de Carter, como ele insiste em dizer). Aqui temos o confronto de um homem com a tipica mulher criada por Hawks, decidida, inteligente e engraçada.

Em Jejum do Amor (His Girl Friday - 1940), Hawks volta a comedia. Esta também é estrelada por Gary Grant mas no lugar de Hepburn temos Rosalind Russell. O filme mostra o choque entre Walter e Hildy que são dois jornalistas que trabalham no mesmo jornal e acabam de se divorciar. Hildy vai até o jornal pedir demissão e avisar que está noiva e vai se casar no dia seguinte. Mas Walter não aceita e pede a ela que escreva uma última grande história sobre o assassino Earl Williams, enquanto ele ganha tempo para usar todos os seus truques para separar o casal.Este filme é um triunfo de ação, dialogo, misantropia e o filme mais excêntrico e engraçado de Hawks.

Sargento York (Sargento York) de 1941, estamos nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial e Hawks faz um filme em homenagem aos heróis da Primeira Guerra. Não é um filme típico de Hawks, pois York é um personagem solitário, um homem que luta com sua própria consciência para poder vencer o inimigo. Alvin C. York é um fazendeiro que luta para sobreviver da terra infértil na qual vive. Alvin sonha comprar terras num sítio mais fértil, sendo que o seu pai tinha esse sonho e não o conseguiu concretizar, apesar de ter trabalhado muito para isto.Alvin torna-se então um religioso e em 1917 quando os americanos entram na 1ª Guerra Mundial e milhares de homens vão alistar-se Alvin nega-se, pois crê que toda aquela guerra é inútil e desumana. Ele não se apresenta no exército, declarando-se que isto vai contra a sua consciência. O pastor Pile tenta convencer o exército que as convicções religiosas de Alvin deveriam impedi-lo de ir para a guerra, mas o exército não reconhece a igreja de Pile como entidade religiosa oficial. Então Alvin acaba por ir, sem imaginar que isto iria modificar sua vida para sempre.


Pulamos agora para 1944 com Uma Aventura na Martinica (To Have And Have Not). Este filme conforme conta o próprio Hawks surgiu de uma aposta. Hawks queria muito que Ernest Hemingway, escreve roteiros para ele, mas Hemingway não queria. Assim Hawks sugeriu que pegaria seu pior livro e o adaptaria para o cinema e Hemingway disse que não havia como transformar o livro em um filme. Outra vitoria de Hawks neste filme foi contra Bogart, para o qual disse que pegaria uma atriz e a faria ser mais insolente que ele, coisa que Bogart achava impossível. Uma Aventura na Martinica foi um sucesso tão grande que o estúdio pediu um novo filme para Hawks com a dupla Bogart/Bacall.

Então dois anos depois temos À Beira do abismo (The Big Sleep) um dos melhores filmes de Hawks na opinião deste que vos escreve. Baseado no livro de Raymond Chandler. Segundo Hawks foi neste filme que ele fez uma grande descoberta “você não precisa ser muito lógico, só tem que fazer boas cenas”, com um roteiro escrito  em 8 dias a 4 mãos por William Faulkner, Leigh Brackett que disseram para Hawks que não iriam alterar o que fora escrito, pois estava tão bom que não havia razão de torna-lo lógico.E Hawks acatou a decisão.

Em 1948 Hawks volta ao mundo masculino e em seu primeiro western uma obra prima do velho oeste. Rio Vermelho (Red River), estrelado pelo eterno cowboy John Wayne, que fez uma parceria tão boa com Hawks como Grant havia feito nas comedias. O filme relata a história da primeira condução de gado pela chamada Trilha de Chisholm, do sul do Texas até Abeline no Kansas, em 1865. No caminho, o dono do gado tentará resolver o conflito com seu jovem filho adotivo (Montgomery Clift), que se rebela contra a tirania do pai.

Em 1949 ele volta a dirigir uma comédia amalucada, intitulada A Noiva Era Ele (I Was a Male War Bride). Desta vez Ann Sheridan foi a coadjuvante de Gary Grant. Nesta historia o Capitão Henri Rochard(Grant) é um oficial designado para trabalhar com a tenente Catherine Gates (Sheridan) na França. Após de uma série de desventuras malucas, eles se apaixonam e se casam. Catherine logo recebe ordens para retornar aos Estados Unidos e Henri quer voltar com ela. Mas, enquanto o Exército tem um protocolo rígido para lidar com "noivas de guerra", não há uma lei semelhante para homens que se casam com pessoas do sexo feminino do Exército, de modo que a fim de seguir sua nova esposa para os Estados Unidos, Rochard tem de disfarçar-se de mulher.

Outra comedia de Hawks feita em 1952 O Inventor da Mocidade (Monkey Business), estrelada também por Grant ao lado do ícone mais glamoroso de Hollywood,uma diva legítima, Marilyn Monroe.
Esta é mais uma malucada comédia, na qual uma secretária voluptuosa e seu chefe bonitão não conseguem impedir um rebuliço em suas vidas após um chipanzé preparar acidentalmente uma fórmula que devolve a juventude.


Chegamos então a Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), o ápice de Hawks em matéria de western. De um lado está um exército de pistoleiros de aluguel espreitando a cadeia na tentativa de libertar um assassino. Do outro, está o xerife John T. Chance (John Wayne) e seus dois assistentes: um ex-beberrão em recuperação (Dean Martin) e o outro um velho manco e reclamão (Walter Brennan). Ao lado deles também estão um jovem rápido no gatilho (Ricky Nelson) e uma mulher com um passado sombrio (Angie Dickinson), mas cujo coração palpita por Chance. O diretor Howard Hawks elevou o western às alturas com Rio Vermelho. Capturando a verdadeira imagem do Oeste bravio com um elenco estelar e na melhor forma, ele repetiu a façanha. Neste filme também figura Walter Brennan um dos atores favoritos de Hawks.

Posso dizer que este talvez seja o maior tributo de Hawks ao mundo e aos seus maiores valores, o profissionalismo dedicado, à amizade entre os homens , ao herói que vai contra todas as possibilidades pois acredita nestes valores.
Assim era Howard Hawks um homem que contava historias, com ironia e indiferença, as vezes com risadas, as vezes com a mais dura realidade.  Hawk fazia filmes como poucos em Hollywood.

Filmografia:

1970 - Rio Lobo
1966 - El Dorado
1965 - Red Line 7000 (Faixa Vermelha 7000 ou Traço vermelho 7000)
1964 - Man's Favorite Sport? (O esporte favorito dos homens)
1962 - Hatari!
1959 - Rio Bravo (Onde Começa O Inferno)
1955 - Land of the Pharaohs (Terra dos Faraós ou Vale dos Reis)
1953 - Gentlemen Prefer Blondes (Os homens preferem as louras)
1952 - O. Henry's Full House (Páginas da Vida) 
1952 - Monkey Business (O inventor da mocidade)
1952 - The Big Sky (Céu aberto)
1951 - The Thing From Another World (O Monstro do Ártico - (não creditado)
1949 - I Was a Male War Bride (A Noiva era Ele)
1948 - A Song Is Born (A Canção prometida)
1948 - Red River (Rio Vermelho)
1946 - The Big Sleep (À Beira do abismo)
1944 - To Have and Have Not (Ter e não ter)
1943 - The Outlaw (O Proscrito ou O fora da lei) (não creditado)
1943 - Air Force (Águias Americanas)
1941 - Ball of Fire (Bola de fogo)
1941 - Sergeant York (Sargento York)
1940 - His Girl Friday (Jejum de amor)
1939 - Only Angels Have Wings (Paraiso Infernal)
1938 - Bringing Up Baby (Levada da Breca)
1936 - Come and Get It (Meu filho é meu rival)
1936 - The Road to Glory (Espelhos d'alma ou O caminho da Glória)
1936 - Sutter's Gold ) (não creditado)
1936 - Ceiling Zero (Heróis do ar)
1935 - Barbary Coast (Duas almas se encontram)
1934 - Twentieth Century (filme) (Suprema conquista)
1934 - Viva Villa! (uncredited)
1933 - The Prizefighter and the Lady (não creditado)
1933 - Today We Live (Vivamos hoje)
1932 - Tiger Shark (O tubarão)
1932 - The Crowd Roars (Delirante)
1932 - La Foule hurle
1932 - Scarface
1931 - The Criminal Code (O código penal)
1930 - The Dawn Patrol (Patrulha da madrugada)
1929 - Trent's Last Case (Quem é o culpado?)
1928 - The Air Circus
1928 - Fazil
1928 - A Girl in Every Port
1927 - Paid to Love
1927 - The Cradle Snatchers
1926 - Fig Leaves

1926 - The Road to Glory

domingo, 11 de agosto de 2013

O Mestre do Suspense

Neste mês de Agosto o Cinearte faz uma Homenagem ao  mestre do suspense

Quatro filmes de Alfred Hitchcock constam da programação do Cinearte para este mês. Para quem curte o gênero, o prato é perfeito:

Psicose (1960), dia 5 – Jovem (Janet Leigh) foge com dinheiro da imobiliária onde trabalha e planeja encontrar o amante, que mora em outra cidade, mas interrompe a viagem para dormir num velho motel administrado por um estranho rapaz (Anthony Perkins) e sua mãe. Um dos filmes mais famosos do mestre do suspense, em que o soberbo domínio da técnica cinematográfica faz esquecer eventuais imperfeições do argumento e do roteiro. Os pontos altos são a fotografia em preto-e-branco; a trilha sonora; e o planejamento visual, especialmente na cena do chuveiro; e o desempenho de Perkins, o melhor de sua carreira. Os bastidores das filmagens de Psicose foram alvos de um filme recente, em que Anthony Hopkins vive o papel de Alfred Hitchcock.

Intriga internacional (1959), dia 12 – Executivo nova-iorquino é confundido com espião e sequestrado por agentes inimigos que tentam fazê-lo passar por culpado de assassinato e, depois procuram matá-lo em série de “acidentes”. Considerado por muitos o melhor filme de Hitchcock pelo ritmo envolvente e pelo elenco impecável: Cary Grant, Eva Marie Saint e James Mason. Sequências eletrizantes, como o ataque de avião contra o herói, no deserto e a descida da serra com Grant bêbado. Hitchcock, inglês de nascença, dizia que este filme conta “a essência de todos os seus filmes americanos”.

A tortura do silêncio (1952), dia 19 – Montgomery Clift vive um padre que recebe a confissão de um assassino. Problema: o criminoso tem todas as condições de incriminar o padre, que não pode abrir o bico por conta do segredo confessional. Sempre que o cristianismo é envolvido nos filmes do mestre inglês, parece que o sofrimento é mais agudo. O mesmo acontece em O homem errado, também de Hitch, com Henry Fonda. Aqui é Clift quem faz o padre, ou seja, a ideia de uma grande fragilidade e inocência frequenta seu rosto e seu corpo. Anne Baxter é sua parceira de elenco. Em preto-e-branco.

Disque M para matar (1954), dia 26 – Veterano campeão de tênis (Ray Milland) planeja, com rigor de detalhes, o assassinato da esposa rica (Grace Kelly). Trama perfeita e uma das mais curiosas sequências de assassinato do cinema. Foi refilmado para a tevê com Angie Dickinson no papel que foi de Grace Kelly e o canastrão Christopher Plummer no lugar de Ray Milland.

Publicação Original: Coluna Prosa e Verso para o dia 3 de agosto (Coluna de no. 470, publicada no Jornal Metas na edição de 3 de agosto)

Por: Gervásio Tessaleno Luz

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

“O Brasil sabe fazer cinema muito Bem”

Segue abaixo matéria publicada nas paginas verdes da Revista da Unimed.


Grande parte dos 77 anos de vida, Herbert Holetz dedicou ao cinema de arte, como ainda tem feito.
Em meio aos inúmeros cartazes, panfletos, recortes de jornal, títulos distribuídos entre fitas VHS e DVDs, o cinéfilo blumenauense ocupa o tempo atual cuidando do espaço reservado ao cinema reflexivo e clássico, na Fundação Cultural de Blumenau. O senhor de cabelos ralos e caminhar calmo é quem escolhe a dedo os filmes que são exibidos no projeto ‘Cine Arte’, que ocorre semanalmente no Cine Teatro Edith Gaertner,
onde estão cinquenta das 1100 poltronas que acomodaram, por quase 90 anos, os frequentadores do Cine Busch, no centro de Blumenau. Entre tantas histórias que, por horas, são contadas por senhor Holetz, estão
registros fidedignos de uma época de glamour do cinema blumenauense, que animou muitas crianças, aproximou diversos casais e distraiu, por anos, a população da cidade, sendo uma das poucas fontes de entretenimento de boa parte do Século 20.


revista  unimed:  como iniciou a relação do senhor com o cinema? 
Herbert Holetz: Foi logo na infância, nos anos 1940. Minha mãe, Agnes Holetz, que me apresentou ao cinema, nas matinês da época. Ela me levava com assiduidade para assistir a alguns filmes. Foi a partir daí que passei a admirar cada vez mais as produções. As comédias de ‘O Gordo e o Magro’, Chaplin e as
aventuras de Tarzan eram muito divertidas.

ru: o que o senhor pensa dos filmes brasileiros?
Holetz: O Brasil sabe fazer cinema muito bem. Quem é que não lembra de ‘O Cangaceiro’, de 1953? É uma produção muita rica para a época e que demonstra toda a capacidade do brasileiro em produzir coisas boas.
Assim como o filme ‘Tico Tico no Fubá’, de 1952. Foram vários anos em cartaz no Exterior. Atualmente, estamos melhores ainda. ‘Tropa de Elite’ é uma amostra disso, assim como ‘Carandiru’,lançado em 2003.

ru: cite uma das lembranças do tempo de frequentador assíduo dos cinemas.
Holetz: Lembro que, quando jovem, participava sempre das promoções feitas na rádio. Para ganhar ingressos do cinema era preciso responder perguntas sobre as produções da época e eu já ficava aguardando para responder. Assim, ganhei alguns ingressos para o cinema.

ru:  como e quando começou a relação do senhor com o cine busch?
Holetz: Desde sempre. Eu comparecia à sessão de cinema quase sempre e o gerente começou a
perceber minha presença quase que permanente. Então, passei a ajudar nas tarefas. Encaminhava
as pessoas para os lugares. No início, não recebia nada, mas assistia aos filmes de graça. Isso era muito
bom. Depois de um tempo, comecei a trabalhar lá oficialmente.

ru: o cine busch foi o primeiro de Santa catarina e único por muitos anos.  como o senhor se sente de ter participado dele?
Holetz: O senhor Frederico Guilherme Busch trouxe para Blumenau uma das primeiras salas de cinema do Brasil e o meu sentimento para com o Cine Busch será para sempre. Trabalhei lá por mais de 40 anos, dos
89 anos que Busch funcionou. Iniciei em 1953, um ano antes de o estabelecimento completar 50 anos. Deste auge da plateia lotada, permaneci até o fechamento, em 1993. Depois disso, ainda me permiti zelar
por aquele patrimônio por algum tempo. Fui porteiro, bilheteiro e depois passei a gerente.
Foram quatro décadas maravilhosas da minha vida.

ru: A televisão surgiu em 1950 no brasil. como isso refletiu no cinema da cidade?
Holetz: Assim como o pioneirismo no cinema no Estado, Blumenau também foi a primeira a ter estação televisiva em Santa Catarina. A TV Coligadas, no canal 3, surgiu em 1969. Antes disso, alguns televisores na cidade sintonizavam, com muitas interferências, a TV Paranaense, de Curitiba. Houve, nesse período, uma abstenção no cinema, pois era novidade ter uma tela para assistir em casa. Mas, o charme e a classe das salas de cinema não cessaram. Tivemos, depois, várias salas de cinema na cidade e tive a oportunidade
de trabalhar, também, no Cine Blumenau, que ficava no alto da Rua XV de Novembro, inaugurado em 1951 e cerrado em 1983. A enchente daquele ano foi um dos principais fatoresdo fechamento.

ru:  o senhor chegou a ter mais de 2 mil cópias guardadas. todos esses filmes foram assistidos mais de uma vez?


Holetz: Assisti diversas vezes alguns desses títulos. Desse montante, hoje tenho em casa 400 títulos, que guardo com muito zelo. Os demais estão aos cuidados da Fundação Cultural de Blumenau, pois doei para
registros históricos. Uma grande parte já está em DVD, mas confesso que era melhor antes: colocar a fita VHS no aparelho e deixar rodar. Hoje, tem que selecionar muitas opções nosaparelhos de DVD

ru:  o senhor é casado e tem três filhos.  o cinema foi absorvido pela esposa e pelos herdeiros?
Holetz: Todos gostam de filmes. Minha senhora me acompanhou muito na época do Cine Busch, pois, enquanto eu cuidava do cinema, ela fazia a venda dos doces na bomboniére, na entrada. Tínhamos um cão
que nos acompanhava. Mais tarde, ele seguia minha esposa até em casa, já que terminava o trabalho antes de mim. Quando a sessão acabava e eu saía do cinema, ele estava me esperando para me acompanhar no
trajeto. Assim como meus pais, Agnes e Ewald, fizeram comigo, apresentei o cinema para meu filho quando tinha cinco anos. Levei Jorge Alfredo a uma sessão no Rio de Janeiro. Acho que o resultado foi positivo,
pois ele admira muito o cinema também. Ajuda-me com filmes que ainda procuro e fala sobre cinema em um blog na internet. Minhas filhas Regina e Letícia também são adoradoras da sétima arte.



“O senhor Frederico Guilherme Busch trouxe para Blumenau uma das primeiras salas de cinema do Brasil e o 
meu sentimento para com o Cine Busch será para sempre"


ru:  qual a principal atriz de longas-metragens para o senhor?
Holetz: Todas as grandes mulheres do cinema já se foram. A principal delas e que marcou a história é Marilyn Monroe. Depois de uns dois primeiros filmes, ela deslanchou e encantou muita gente. Por isso, é considerada musa, não é mesmo?


ru: os filmes de arte, na maioria, são marcados por beijos que entram para a história. qual beijo o senhor acha que mais marcou o cinema?
Holetz: Clark Gable e Vivien  Leigh formaram um grande casal do cinema e protagonizaram um dos mais marcantes beijos, em 1939, entre Rhett Butler e Scarlett O’Hara em ‘E o Vento Levou’, que é um dos títulos mais belos da história. Tem também o beijo do clássico ‘Casablanca’, entre Rick e Ilsa, protagonizados
por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, em 1942.

ru: qual sua opinião sobre os filmes atuais? 
Holetz: Os atuais eu quase nem conheço. Deixei de ir ao cinema comercial em 2004. As salas de cinemas já não são mais as mesmas. O som precisa ser muito alto pra dar conta de inibir o barulho de celulares, conversa e ruídos de pacotes de pipoca.
Isso não é nada agradável. Então, passo a conhecer alguns filmes pelo que leio e depois procuro assistir em DVD.

ru: Hoje, o senhor atua somente no projeto ‘cine Arte’? 
Holetz: Sim, somente por aqui. Gosto dos filmes de arte, que têm qualidade na fotografia, na musicalidade e, principalmente, contendo uma mensagem. Para o filme ser de arte é preciso uma série de elementos. Tenho
conhecimento de todos que são reproduzidos aqui e eles têm muita classe.

ru: quando começou o projeto ‘cine Arte’?
Holetz: Houve uma época em que fui morar em Joinville. Além de trabalhar em cinema comercial, gerenciei um projeto chamado ‘Ciclos de Cinema’, da Fundação Cultural daquela cidade. Mais tarde, em 2003, passei
a executar o trabalho cultural em Blumenau. A partir de então, todas as segundas-feiras são encerradas com a exibição de um clássico. Atualmente, os filmes são exibidos às 19h30min, na sala do Cine Teatro Edith Gaertner, que fica no prédio da Fundação Cultural de Blumenau.

ru:  como é a programação e qual é o público do projeto?
Holetz: Existem 50 lugares. No início, o público era mais assíduo. Hoje, temos pouco mais da metade dos locais ocupados em cada sessão. Mas, quem está lá, realmente está interessado em cinema de arte. Recebo pessoas de diversas idades que têm paixão pela sétima arte. O ‘Cine Arte’ é gratuito e qualquer pessoa pode assistir aos filmes de épocas e nacionalidades diferentes, que encantam a todos durante a exibição.

ru:  quais os filmes que o senhor recomenda a quem quer conhecer o cinema de arte?
Holetz:  São tantos, mas, além dos que eu já mencionei, como ‘E o vento levou’ (1939), ‘Casablanca’ (1942) e ‘O cangaceiro’ (1953), tem ‘O mágico de Oz’ e ‘Good bye Mr. Chips’ (1939),
‘A ponte de Waterloo’ (1940), ‘Cidadão Kane’ (1941), ‘Cinema Paradiso’ (1988), ‘Tomates verde fritos’ (1991) e um recente – ‘O fabuloso destino de Amélie Poulain’ (2001).

Cinema em Blumenau
O cinema foi apresentado pela primeira vez em Blumenau no dia 21 de abril de 1900, por G. Koehler, no Teatro Frohsinn. O Frohsinn situava-se na Rua das Palmeiras, onde hoje está a sede da Celesc. Era o “Kinematografen”, que mostrava “fotos em movimento”, como dizia a propaganda.

FONTE: Revista Unimed - Paginas Verdes