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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Morre o cinema

Dizer que o cinema morreu com a morte de Herbert Holetz poderá parecer, à
primeira vista, afirmação hiperbólica. Morreu sim, em parte, em Blumenau e em outras cidades. Ele gerenciou cinemas aqui (Busch e Blumenau), em Gaspar e Joinville.
Herbert tomava café, almoçava e jantava cinema, portanto, convivia com ele 24 horas por dia. Já escrevi isto algumas vezes. Da mesma maneira, afirmei que virei cinéfilo já no berçário. Mas ele me superou e quanto!
Doente, mais grave na segunda metade de 2013, preocupava-se com o andar do seu Cinearte, projeto comemorando 10 anos de vida, instalado na Fundação Cultural de Blumenau. Fundou-o com o objetivo maior de levar ao público, gratuitamente, clássicos, filmes raros.

Jorge, seu filho, contou-me que, num domingo à tarde, teria dito: - “Preparem-se que vou embora logo. Ontem, recebi visita de uns amigos que virão buscar-me”. Brincando, imaginamos quem seriam esses amigos. Gary Cooper, John Wayne, Gregory Peck, Errol Flynn, por certo.

Afinal, a vida inteira respirou cinema. Preferia os filmes antigos, dessa turma citada aí em cima. Para os novos, torcia o nariz. Para ele, não se fazia mais cinema como antigamente. Uma e outra exceção: A última sessão de cinema, Cinema Paradiso (cujo protagonista, Alfredo, tinha muito a ver com nosso herói blumenauense)...

Com o aparecimento da televisão, mesmo preocupado, dizia que não temia a concorrência. Naquela época, os filmes eram lançados comercialmente e somente muito tempo depois alcançavam o vídeo. Holetz, num cartaz de um faroeste, acrescentou: “Este filme só será exibido na televisão daqui a 3 anos!”. Hoje, tal expediente seria inútil. A produção estreia na tela grande, e, quase de imediato, sai em DVD e pra telinha é um já.

Entendia que a sétima arte oferece muito mais do que a tela pequena: “Oferece tudo. Imagem, emoções, sentimentos. Dentro do cinema, você pode viver muitas coisas que na própria vida não poderia nem ver nem viver”. Para ele, o cinema continuava sendo a melhor, a mais instrutiva e a mais barata de todas as diversões.

A jornalista Magali Moser, no livro A vida pelo cinema – Herbert Holetz entre a realidade e a ficção, acha que após uma trajetória de lutas, conquistas e decepções, Holetz só iria sossegar quando o Museu Histórico de Cinema se tornasse realidade.


Coluna Prosa e Verso para o dia 16 de novembro

Gervásio Tessaleno Luz

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Romantismo no Natal

O Cinearte da Fundação Cultural de Blumenau exibiu no correr do ano expressivas mostras de bom cinema. Os espectadores puderam curtir: filmes brasileiros, Carlitos, Marilyn Monroe, Errol Flynn, Alfred Hitchcock, enfim, dramas, comédias, suspense, bangue-bangues e aventuras clássicas. No próximo mês, encerrando suas atividades de 2013, teremos apenas três produções, todas norte-americanas, considerando os festejos natalinos.

Carta de uma desconhecida (1948), dia 2 – No século XIX, em Viena, adolescente tímida (Joan Fontaine, irmã de Olívia de Havilland, de... E o vento levou) apaixona-se perdidamente por pianista famoso e mulherengo. Os dois se reencontram anos depois, mas ele não a reconhece. Fontaine (de Rebecca, a mulher inesquecível) está soberba na criação deste personagem – símbolo das mulheres românticas. A história, baseada em romance de Stefan Zweig, austríaco que viveu no Brasil, onde se suicidou, talvez pareça superada pela mudança dos costumes e pode até soar boboca, mas os espectadores românticos serão excitados até os limites de suas emoções. A copiagem em vídeo, disponível nas locadoras, não mostra toda a beleza da fotografia em preto-e-branco original. A versão do Cinearte não foi colorizada.

A canção da vitória (1942), dia 9 – Narra a biografia de George M. Cohan, que foi um
grande ator e autor de “vaudevilles”, empresário e compositor famoso nos Estados Unidos. Mostra episódios da vida do grande artista que, ocupando com suas peças – grandiosas revistas musicais – vários teatros, reinou durante muitos anos na Broadway. Filho de um casal de artistas de origem irlandesa, em companhia de seus pais e de sua irmã, trabalhou desde menino no palco, constituindo “Os quatro Cohans”. Entretanto, já adulto e sonhando com glórias maiores, George M. Cohan dispôs-se a trabalhar sozinho, compondo e montando revistas musicais e canções que se tornaram populares em todo o território estadunidense. James Cagney, famoso em papéis de gângster, surpreende neste musical, arrebatando o Oscar de melhor ator, dirigido por Michael Curtiz, de Casablanca.




Por quem os sinos dobram (1943), dia 16 – Adaptação romântica da novela de Ernest Hemingway sobre a Guerra Civil espanhola. Gary Cooper, em grande forma, é um agente britânico que se alia a um grupo de ciganos, liderados por Katina Paxinou (grega, Oscar de atriz coadjuvante), para explodir uma ponte fortemente protegida pelo exército franquista. Ingrid Bergman vive uma refugiada. E está belíssima como sempre.

Prosa e Verso                   Gervásio Tessaleno Luz

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MEMÓRIA ETERNA

Marilyn Monroe deve estar cantando Parabéns Pra Você para Herbet Holetz hoje, da mesma forma como fez para o ex-presidente John F. Kennedy. A musa do cinema era uma das “amigas” que o cinéfilo blumenauense fez durante os anos que viveu e sonhou a sétima arte. O primeiro aniversário após a morte, no dia 19 de setembro, é apenas mais um dos momentos oportunos e necessários para trazer à memória esta figura importante para a cultura do Vale, que completaria hoje 79 anos, mais de 60 deles dedicados à causa da sétima arte. A vida que se entrelaçou de maneira inseparável ao cinema tem continuidade atualmente com a manutenção do Cine Arte, criado por seu Holetz, e do arquivo deixado por ele na Fundação Cultural de Blumenau.

O Cine Arte em 2013, como conta o filho do cinéfilo, Jorge Holetz, foi todo programado por ele, com cada filme sendo escolhido a dedo. A manutenção do projeto, segundo o presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Sylvio Zimmermann, é garantida para o ano que vem. A fundação busca reforçar a divulgação e está em conversas iniciais para avaliar se a segunda-feira continua sendo o melhor dia para as sessões. A partir do ano que vem a programação do Cine Arte continuará a ter sob o comando um representante da família Holetz. O filho Jorge, em parceria com o escritor e amigo Gervásio Luz, será o responsável pela organização.

– Ele dizia que queria preservar essa oportunidade de as pessoas assistirem aos clássicos do cinema. É esse legado que eu pretendo preservar – comenta Jorge.

Ele conta que o pai costumava dizer que fora infectado pelo vírus do cinema. É fácil perceber que esta “doença” era contagiosa. Além do próprio filho, contaminou outras pessoas. Em um e-mail enviado a Jorge, um amigo cinéfilo comenta que sempre que vai ao cinema gosta de imaginar seu Holetz em uma das cadeiras da sala.

Já o material colecionado por Holetz durante toda a vida está guardado na Fundação Cultural de Blumenau, que fará um processo de catalogação técnica do arquivo. O filho Jorge lembra que entre os cartazes, equipamentos e recortes há preciosidades como um álbum com fotos de artistas autografadas, por exemplo. Além disso, o cinéfilo é homenageado em uma das salas da fundação com uma exposição (foto) que segue até o fim do ano e que traz projeções e imagens da vida de seu Holetz.

Fonte: Jornal de Santa Catarina
14/11/2013 | N° 13038CONTRACAPA | Vinicius Batista
vinicius.batista@santa.com.br

domingo, 3 de novembro de 2013

Dramas e melodramas

Mergulho em profundidade na natureza humana, o drama difere do melodrama, cujo objetivo principal é apenas comover a plateia. No primeiro, os conflitos vivenciados pelos personagens recebem um tratamento artístico, elaborado. A emoção que invade o espectador é consequência dessa abordagem. Já nos melodramas, a meta procurada é apenas despertar o choro na plateia. E, com isso, acaba resvalando no piegas. Houve época em que o sucesso das novelas de televisão era medido pela quantidade de lágrimas que eram capazes de provocar. Tanto que uma parcela expressiva do público (masculino principalmente) fazia questão de manifestar certo desprezo pelo gênero. No Cinearte da FCB, poderemos ver (ou rever) essas joias (apenas Moulin Rouge é produção britânica, as demais vêm dos Estados Unidos):




O retrato de Jennie (1948), dia 4 – Ebem Adams é um pintor fracassado. Sua vida muda radicalmente quando conhece a bela Jennie. Ela se torna sua musa inspiradora, fazendo com que ele conheça o sucesso. Inicia-se um romance que desafiará sem fronteiras do tempo e da vida. Atuações perfeitas de Joseph Cotten e Jennifer Jones, par também em Duelo ao sol. Ganhou o Oscar de melhores efeitos especiais. Em preto-e-branco.




Moulin Rouge (1952), dia 11 – Biografia meio ficcional de Toulouse-Lautrec (José Ferrer que ganhou o Oscar de melhor ator em Cyrano de Bergerac), o famoso pintor francês da Belle-Époque, refletindo o mundo boêmio de Paris, através de algumas de suas figuras famosas. O filme, praticamente dividido em duas partes, apresentando as duas mulheres que teriam interferido na vida amorosa do artista aleijado, é um bonito painel das cores impressionistas que animaram a pintura e os meios artísticos da época.





Em cada coração, um pecado (1942), dia 18 – No início do século XX, as vidas de dois rapazes e três garotas são marcadas por acontecimentos trágicos e paixões avassaladoras, numa pequena cidade do interior dos EUA. Quem abstrai os tempos contemporâneos muito provavelmente assistirá com grande prazer e lágrimas a essa fita em que Ronald Reagan (futuro presidente dos Estados Unidos) teve o seu maior desempenho. Concorreu ao Oscar de melhor fotografia em preto-e-branco.






Férias de amor (1955), dia 25 – Um vagabundo (William Holden, magnífico) chega clandestinamente de trem a uma cidadezinha do Meio-Oeste americano à procura de um ex-colega de faculdade para pedir emprego. Mas acaba causando profundas transformações na vida de todas as pessoas com quem se relaciona, em apenas 24 horas. Kim Novak está belíssima nesse melodrama em deslumbrante Technicolor.

Coluna Prosa e Verso                Gervásio Tessaleno Luz

domingo, 13 de outubro de 2013

O espadachim Flynn

Embora tenha estrelado faroestes de porte, Errol Flynn (1909-1959) notabilizou-se como ator em filmes de capa e espada. O genial cineasta húngaro Michael Curtiz (1888-1962), um dos grandes técnicos do cinema de ação e aventura é o responsável direto pelo surgimento do mito Errol Flynn. Mais que um artesão competente, Curtiz foi o cineasta responsável pelo estupendo Casablanca. Nos quatro filmes deste mês, todos dirigidos por ele, o irlandês Errol Flynn tem a companhia de Olívia de Havilland (de... E o vento levou) nos três primeiros.

Capitão Blood (1935), dia 7 – O médico inglês Peter Blood indispõe-se com o rei Jaime II, e é injustamente condenado por traição à coroa britânica. Vendido como escravo, vai trabalhar na Jamaica, onde lidera uma rebelião e se torna pirata no mar do Caribe. Luta contra os invasores espanhóis. Flynn repete o papel de corsário em outro clássico do gênero, O gavião do mar, que será exibido dia 28.

A Carga da Brigada Ligeira (1936), dia 14 – Durante a guerra da Crimeia, um oficial do Exército britânico, o conde de Cardigan, que tinha velhas contas a acertar com o potentado turco, resolve adotar uma estratégia arriscada e deflagra um ataque contra as posições russas, em 1854. O filme tem muita ação e uma produção muito bem cuidada. Passou à história do cinema por ter sido um dos primeiros em que o ótimo ator escocês David Niven (A volta ao mundo em 80 dias) aparece em um papel significativo.

A Estrada de Santa Fé (1940), dia 21 – As aventuras que cercaram a construção da grande ferrovia de Santa Fé. Algumas cenas de ação e os atores (incluindo o futuro presidente Ronald Reagan) são o que há de melhor nesse filme. Faroeste a ser direcionado não só para os amantes do gênero, mas aos fãs da aventura de qualidade, sobretudo quando ela tem a participação de um trio de sucesso – o diretor Curtiz e o casal Errol Flynn e Olívia de Havilland – que realizaram clássicos como As aventuras de Robin Hood.


O Gavião do Mar (1940), dia 28 – Versão do clássico capa e espada baseado em livros de Rafael Sabatini (já filmado em 1924) e em que a Warner Bros repetiu a fórmula de Capitão Blood. O Capitão Geoffrey Thorp, no comando da galera inglesa Albatross, combate os espanhóis a serviço da Rainha Elizabeth e vive romance com Dona Maria (Brenda Marshall), filha do embaixador espanhol Don José Alvarez de Cordoba (vivido por Claude Rains, o inescrupuloso chefe de polícia em Casablanca). Eletrizantes cenas de batalha naval. Todos os filmes foram rodados em preto-e-branco.

sábado, 21 de setembro de 2013

Personagem Principal

Protagonista do cinema em Blumenau, Herbert Holetz deixa herança de dedicação e amor aos filmes
Quando uma paixão é grande demais, ela pode durar toda uma vida, sem jamais perder o brilho. Foi assim com Herbert Holetz, memória e protagonista do cinema blumenauense. Mesmo nos últimos dias de vida, das forças que encontrava para falar rendiam histórias e lembranças cinematográficas. De olhos fechados, quando o sonho vinha à tona, a imaginação projetava seus filmes e personagens favoritos.

O jornalista e escritor Gervásio Luz conhece, pelo menos, uma dúzia de histórias sobre aquele que considera “uma entidade do cinema em Blumenau”. Com um sorriso triste no rosto, lamenta a morte do amigo:

– O romantismo do cinema morreu com ele. Holetz tomava café, almoçava e jantava cinema. Quando dormia, sonhava com os personagens dos seus filmes favoritos. Os amigos e a família do Holetz, além dos parentes, eram Cary Grant, Greta Garbo, James Dean, Marilyn Monroe... – diz Luz.

Por volta da 1h10min de ontem, a cultura blumenauense ficou órfã: Herbert Holetz foi embora. Aos 78 anos, o cinéfilo mais querido da cidade estava debilitado. Em outubro de 2012, teve diversas quedas e, durante uma cirurgia para reparar o fêmur quebrado, sofreu acidentes cerebrais vasculares (AVC).

Passou os últimos 15 dias internado no Hospital Santa Catarina. Lá, recebia visitas frequentes da esposa, Lori, com quem era casado há mais de 50 anos, e dos três filhos e quatro netos. Segundo o primogênito, Jorge, as conversas sobre cinema eram frequentes, mesmo nos últimos dias de vida do pai:

– Mesmo não conseguindo formar algumas frases direito, por causa das sequelas do AVC, ele ainda encontrava forças para falar dos filmes que amava tanto. Eu gosto de dizer que o meu pai não era um cara teimoso, era um cara obstinado. E ele foi assim até o último instante.

A obstinação nasceu quando ainda era criança, ao ser levado pela mãe a uma sessão pela primeira vez. Assim como o protagonista do clássico filme italiano Cinema Paradiso, Holetz era um menino quando decidiu que o cinema faria parte de sua vida para sempre. Na adolescência, teve contato com Reynaldo Olegário, do Cine Garcia, que o ensinou mais sobre a arte. Persistiu até conseguir trabalhar como lanterninha do Cine Busch, aos 17 anos. Tudo para assistir aos filmes. Por lá, trabalhou por 40 anos, onde foi desde lanterninha até gerente. Depois que o Cine Busch fechou as portas, em 1993, Holetz não foi mais ao cinema em Blumenau.

Sessão de cinema: um ritual

O filho Jorge não chora, por mais que os olhos se encham de lágrimas ao falar do pai. Em vez disso, o sorriso e a voz cheia de orgulho tomam conta dele, enquanto desfia elogios e conta histórias sobre a vida de Holetz:

– O maior desgosto dele foi quando eu trouxe um VHS para casa. Era sempre muito difícil fazer com que ele se adaptasse a essas mudanças do cinema, sabe? A arte corria pelas veias dele, era um amor de outro mundo – diz, emocionado.

Quando o assunto era uma sessão de cinema, conta ele, Holetz era severo: gostava de silêncio, respeito e disciplina. Para o cinéfilo, era como se a exibição do filme fosse um ritual sagrado.

– Ele não gostava, por exemplo, que mascassem chiclete durante o filme. Bagunça, então, nem pensar. Meu pai tinha um respeito muito grande pela sétima arte – relembra Jorge.

A diretora do Patrimônio Histórico e Museológico da Fundação Cultural, Sueli Petry, não hesita: diz que o amigo vai fazer muita falta.


– O Herbert era apaixonado pelo que fazia e também pela Fundação Cultural. Ele doou todo o acervo de filmes para nós, que está à disposição de qualquer pessoa. Para nós, a despedida dele representa a perda do conhecimento, da dedicação e do amor à arte de um grande homem – declara Sueli. (Colaborou Vinicius Batista)

Autora: CAMILA IARA

Fonte: Jornal de Santa Catarina

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

HERBERT HOLETZ - O CINEMA PERDEU UM ENTUSIASTA!

"É com grande pesar que comunico o falecimento de meu pai, Herbert Holetz. O corpo está sendo velado na Igreja Luterana Centro e o sepultamento será às 16h30min".
 A mensagem objetiva chegou coberta de dor a esta página, assinada por Jorge Holetz e Família. Eram 4h15min desta quinta-feira, 19 de setembro de 2013, marcando o fim da trajetória terrena de um grande entusiasta da arte cinematográfica. Ele vivia em Blumenau, Santa Catarina, onde começou como lanterninha em 1953 e chegou à gerência de salas de exibição, e permaneceu nesta função por mais de quatro décadas. Gerenciou cinemas em Blumenau, Joinville e Gaspar. Foi divulgador do cinema brasileiro, como destacou Tessaleno: "O seu Cinearte, 10 anos de existência, fincado na Fundação Cultural de Blumenau, principia todo ano com produções nacionais". Sua vida inspirou a jornalista Magali Moser a escrever a biografia "A Vida Pelo Cinema – Herbert Holetz entre a realidade e a ficção" (Blumenau: Nova Letra, 2006), ponto de partida para o documentário "A história do cinema em Blumenau". Segundo Tessaleno: "Vale a pena. É um registro (sério) provando que também, nós do Vale, fomos pioneiros na Sétima Arte" (Jornal Metas, Gaspar, 23/09/2006).Tive o privilégio de conhecer Herbert Holetz há alguns anos, na Fundação Cultural de Blumenau, levado por meu amigo professor e jornalista Gervásio Tessaleno Luz. Alma generosa, Holetz nos atendeu com simpatia, trocamos experiências e materiais que hoje fazem parte do meu acervo sobre as séries de cinema e TV "O Planeta dos Macacos", e para o Museu do Cinema de Blumenau, que ele estava organizando, levei algumas preciosidades sobre o cinema produzido em Santa Catarina. Vai com Deus, Holetz! Muito obrigado!

Saulo Adami
Escritor

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Familiares e amigos se despedem do cinéfilo Herbet Holetz, que morreu na madrugada desta quinta, em Blumenau

Familiares e amigos se despedem do cinéfilo Herbet Holetz, que morreu na madrugada desta quinta, em Blumenau. O Corpo está sendo velado na capela mortuária da Paróquia Luterana, no Centro, e o enterro será às 16h
Familiares, amigos, colegas de profissão, artistas e figuras da cultura blumenauense prestam uma última homenagem a Herbert Holetz, que morreu na madrugada desta quinta-feira, em Blumenau, aos 78 anos. Na capela mortuária da Paróquia Luterana, no Centro da cidade, as lágrimas se misturam aos sorrisos quando as lembranças do cinéfilo vêm à tona.

_ Ele tomava café, almoçava e jantava cinema. Era um apaixonado. Quando dormia, Holetz sonhava com os personagens dos seus filmes favoritos _ diz o escritor e jornalista Gervásio Luz, amigo de Holetz.

O enterro será às 16h30min, no cemitério da paróquia. Holetz estava internado há 15 dias no Hospital Santa Catarina, depois de sofrer um AVC durante uma cirurgia para reparar a quebra do fêmur. Ele deixa a esposa, Lori, com quem era casado há mais de 50 anos, três filhos e quatro netos.


Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA

Foto:  Gilmar de Souza  /  Agência RBS

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Brasil no Cinearte da Fundação Cultural de Blumenau

Coluna Prosa e Verso para o dia 24 de agosto

Gervásio Tessaleno Luz


Como gerente de cinemas em Blumenau, Joinville e Gaspar, Herbert Holetz sempre divulgou o cinema brasileiro. O seu Cinearte, 10 anos de existência, fincado na Fundação Cultural de Blumenau, principia todo ano com produções nacionais. Agora, em setembro, teríamos 5 filmes. Ninguém se lembrou de que na segunda-feira, dia 2, comemoram-se 136 anos de fundação de Blumenau. É feriado e, portanto foi cancelada a exibição de Memórias póstumas. Ficam então:

O Estômago (2008, coprodução com a Itália), dia 9 – Raimundo Nonato acaba de chegar a São Paulo, vindo do Nordeste. Ele não tem onde ficar. Sem dinheiro algum, vai trabalhar num boteco. Começa a revelar sua verdadeira aptidão: a culinária. Num restaurante italiano, reconhecidos seus dotes de cozinha, vê seu espaço crescer cada vez mais. Esta produção, colorida, abiscoitou 14 prêmios internacionais.

Deus é Brasileiro (2002), dia 16 – Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, decepcionado com essa sua criação tão cheia de defeitos, Deus resolve tirar umas férias dela, retirando-se por uns tempos para as estrelas distantes, a fim de descansar de seus aborrecimentos com o ser humano. Para isso, ele precisa de um santo que se ocupe com suas obrigações para com a humanidade, enquanto sai de férias. Seu guia no Brasil será Taoca (Wagner Moura), um esperto borracheiro e pescador que vê nesse encontro com Deus uma oportunidade para resolver seus problemas materiais. Antônio Fagundes acerta como um Deus velho e impaciente. Em cores.

O Pagador de Promessas (1962), dia 23 – Para que seu burrico de estimação se recupere de acidente, camponês tenta cumprir promessa de carregar cruz até o altar de Santa Bárbara, em Salvador. Enfrenta, porém, a oposição do vigário e de outras autoridades. Crítica aos políticos, à Igreja Católica. à polícia e à imprensa, a peça de Dias Gomes recebe um tratamento dramático que mantém vivas a força dos personagens e a discussão sobre a influência da religião na sociedade. Palma de Ouro em Cannes. Direção de Anselmo Duarte, com Glória Menezes, Leonardo Villar e Norma Bengell, no papel da prostituta Marli. Depois deste filme, Norminha participou de produções francesas, italianas e norte-americanas.

Tico-tico no Fubá (1952), dia 30 - Biografia romanceada do compositor paulista Zequinha de Abreu (Anselmo Duarte). O diretor, o italiano Adolfo Celi tornou-se ator internacional. Viveu o vilão que incomodou James Bond (Sean Connery) em 007 contra a chantagem atômica (1965). Em preto-e-branco, como o filme anterior.


domingo, 11 de agosto de 2013

O Mestre do Suspense

Neste mês de Agosto o Cinearte faz uma Homenagem ao  mestre do suspense

Quatro filmes de Alfred Hitchcock constam da programação do Cinearte para este mês. Para quem curte o gênero, o prato é perfeito:

Psicose (1960), dia 5 – Jovem (Janet Leigh) foge com dinheiro da imobiliária onde trabalha e planeja encontrar o amante, que mora em outra cidade, mas interrompe a viagem para dormir num velho motel administrado por um estranho rapaz (Anthony Perkins) e sua mãe. Um dos filmes mais famosos do mestre do suspense, em que o soberbo domínio da técnica cinematográfica faz esquecer eventuais imperfeições do argumento e do roteiro. Os pontos altos são a fotografia em preto-e-branco; a trilha sonora; e o planejamento visual, especialmente na cena do chuveiro; e o desempenho de Perkins, o melhor de sua carreira. Os bastidores das filmagens de Psicose foram alvos de um filme recente, em que Anthony Hopkins vive o papel de Alfred Hitchcock.

Intriga internacional (1959), dia 12 – Executivo nova-iorquino é confundido com espião e sequestrado por agentes inimigos que tentam fazê-lo passar por culpado de assassinato e, depois procuram matá-lo em série de “acidentes”. Considerado por muitos o melhor filme de Hitchcock pelo ritmo envolvente e pelo elenco impecável: Cary Grant, Eva Marie Saint e James Mason. Sequências eletrizantes, como o ataque de avião contra o herói, no deserto e a descida da serra com Grant bêbado. Hitchcock, inglês de nascença, dizia que este filme conta “a essência de todos os seus filmes americanos”.

A tortura do silêncio (1952), dia 19 – Montgomery Clift vive um padre que recebe a confissão de um assassino. Problema: o criminoso tem todas as condições de incriminar o padre, que não pode abrir o bico por conta do segredo confessional. Sempre que o cristianismo é envolvido nos filmes do mestre inglês, parece que o sofrimento é mais agudo. O mesmo acontece em O homem errado, também de Hitch, com Henry Fonda. Aqui é Clift quem faz o padre, ou seja, a ideia de uma grande fragilidade e inocência frequenta seu rosto e seu corpo. Anne Baxter é sua parceira de elenco. Em preto-e-branco.

Disque M para matar (1954), dia 26 – Veterano campeão de tênis (Ray Milland) planeja, com rigor de detalhes, o assassinato da esposa rica (Grace Kelly). Trama perfeita e uma das mais curiosas sequências de assassinato do cinema. Foi refilmado para a tevê com Angie Dickinson no papel que foi de Grace Kelly e o canastrão Christopher Plummer no lugar de Ray Milland.

Publicação Original: Coluna Prosa e Verso para o dia 3 de agosto (Coluna de no. 470, publicada no Jornal Metas na edição de 3 de agosto)

Por: Gervásio Tessaleno Luz

segunda-feira, 1 de julho de 2013

CINEARTE no mes de JUlho

As sessões do Cinearte (Sala Edith Gaertner) da Fundação Cultural de Blumenau (criado há 10 anos por Herbert Holetz, o cinéfilo-mor da região) ocorrem às segundas-feiras, com início às 19h30min. A entrada é gratuita. Boa diversão.

Coluna Prosa e Verso para o dia 22 de junho




Prosa e Verso                                       Gervásio Tessaleno Luz


O tema é cinema



Os cinco filmes do mês de julho do Cinearte da Fundação Cultural de Blumenau têm como temática a Sétima Arte. Tirando o italiano Cinema Paradiso, os demais são produções norte-americanas. Os três últimos são em preto-e-branco:


Cine Majestic (2001), dia 1 – Nos anos 50, roteirista de Hollywood, vítima de amnésia, vai parar em pequena cidade onde muitos acreditam tratar-se de jovem dado como morto durante a II Guerra Mundial. Em clima de fábula, o filme conta história extremamente original, mas que resvala na pieguice patrioteira na meia hora final quando se aprofunda na famosa perseguição anticomunista que assolou Hollywood nos anos 1950. Porém com sua bela encenação, o filme comove, em especial quando explora a magia do cinema e quando conta em cena com Martin Landau (o pai e exibidor) em extraordinária atuação. Jim Carrey, sem caretas, é o astro. 


Cinema Paradiso (1989), dia 8 – Ao receber a notícia de que o projecionista de sua cidade natal (Philippe Noiret) morrera, cineasta bem-sucedido (Jacques Perrin) recorda-se da infância e da adolescência, na Sicília. Realizado no mesmo ano de Splendor, de Ettore Scola, tem argumento muito parecido, mas não pretende discutir questões ligadas à indústria cinematográfica. Em seu segundo longa-metragem, Tornatore inspira-se na tradição dramática italiana para extrair emoção de episódios cotidianos. Destinado sobretudo aos amantes do cinema. Oscar de melhor filme estrangeiro e prêmio especial do júri do Festival de Cannes.


Assim estava escrito (1953), dia 15 – Em Hollywood, atriz e mais dois colegas recordam as turbulentas relações um incrível e egocêntrico produtor. Um dos melhores retratos da vida competitiva de Hollywood. Com um roteiro que se apoia na fórmula do flashback, o filme vai fundo nos limites da ética e da ambição, mesmo quando esta é legítima. Ganhador de cinco Oscar, entre eles o de atriz coadjuvante (Gloria Grahame). Kirk Douglas vive o produtor e Lana Turner surpreende como a atriz.


A última sessão de cinema (1971), dia 22 – Nos anos 50, dois amigos de cidadezinha no Texas conhecem a paixão e a desilusão. Clássico do cinema moderno, vencedor de dois merecidos Oscar de ator e atriz coadjuvantes, Ben Johnson e Cloris Leachman. O elenco todo, porém, está impecável neste retrato de “american way of. life” (jeito americano de viver) de primeira linha.


Crepúsculo dos deuses (1950), dia 29 – Ex-diva do cinema mudo (Gloria Swanson) contrata um roteirista (William Holden) que está desempregado, para que ele prepare seu retorno triunfal ao cinema. Um dos melhores filmes de todos os tempos, combina horror, mistério, policial, suspense e drama para descrever a loucura do cinema. Com Eric Von Stroheim, como o fiel mordomo, ex-diretor de cinema, e em participações especiais Cecil. B. de Mille e o comediante do cinema mudo Buster Keaton.

domingo, 2 de junho de 2013

Clássicos do faroeste

 Coluna Prosa e Verso para o dia 1 de junho

Autoria: Gervásio Tessaleno Luz

Neste mês, o melhor do bangue-bangue norte-americano (não esquecer que os italianos se utilizaram do gênero, fazendo o faroeste al sugo, ou seja, espaguete) vai ser exibido no Cinearte da Fundação Cultural de Blumenau. São quatro os filmes:

Matar ou Morrer (1952), dia 3 – Na hora de seu casamento, xerife recebe notícia de que um bandido que mandou para a cadeia (e que jurou matá-lo) saiu da prisão e deve chegar no trem do meio-dia. Faroeste antológico, feito em tempo real: sua duração corresponde ao tempo efetivo em que a ação se desenrola. Por isso, o filme mostra vários relógios, intensificando o suspense à medida que os ponteiros avançam para o meio-dia. Oscar de ator para Gary Cooper. No elenco, Grace Kelly e Lee Van Cleef. No Brasil, fez-se uma paródia - Matar ou correr, com Oscarito e Grande Otelo, de matar de rir. Em preto-e-branco. Os demais são coloridos.

Os imperdoáveis (1992), dia 10 – Matador viúvo e aposentado volta à ativa quando é contratado para descobrir o paradeiro do homem que retalhou rosto de prostituta. Este faroeste intimista, grande vencedor do Oscar de 93 (levou as estatuetas de melhor filme, direção, ator coadjuvante, Gene Hackman, e montagem, recolocou o veterano Clint Eastwood (que atuou e dirigiu) no topo da parada. Sua visão do Velho Oeste é amarga, e a fotografia escura transmite desolação, o que é acentuado por cenas em meio a tempestades. No elenco, os excelentes Morgan Freeman e Richard Harris.

Butch Cassidy (1969), dia 17 – Um ex-açougueiro (daí o apelido Butch) e um hábil pistoleiro vivem de assaltar trens e bancos impunemente, até se tornarem caçados em todo o território americano. Reunião muito bem-sucedida de vários talentos: a dupla central (Paul Newman e Robert Redford) e o diretor George Roy Hill (o trio repetiria a dose com Golpe de mestre, 1973). Não há como esquecer Butch Cassidy experimentando uma bicicleta, a novidade tecnológica da época.

Duelo ao sol (1946), dia 24 – No Velho Oeste, amor de bela mulher (Jennifer Jones) é disputado por dois irmãos (Gregory Peck e Joseph Cotten). Faroeste com cores quentes e toques melodramáticos, produzido por David O. Selznick para o estrelato da sua mulher, Jones. Ela está ótima como a sensual Pearl Chavez, uma mestiça que acirra a rivalidade de dois irmãos de índoles diferentes.. Há boa dose de erotismo, fato raro no gênero western, e um duelo final empolgante.