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sábado, 30 de novembro de 2013

Contagio em Blu-Ray

Creio que Contagio deve ser visto como uma forma de alerta à sociedade, e assim ele funciona perfeitamente. Steven Soderbergh apresenta algumas cenas que são chocantes e impressionam de verdade, embora algumas vezes semelhanças e referências nos remetam a Ensaio sobre a cegueira sejam mais do que óbvias. A forma semi-documentarial que o cineasta escolheu para apresentar trechos de sua história contribui em muito para tornar o filme mais interessante. Contágio é um filme que consegue chocar, mas não é pesado demais para o grande público.

A grande pergunta do filme é "Quanto tempo dura um apocalipse?" Ja tivemos no cinema diversas visões de pós-apocalipse, o caos instalado, o panico e a luta dos sobreviventes, mas em Contagio  acompanhamos o processo que leva à desordem. Às vezes nem os heróis do fim do mundo, como o Rick Grimes de Walking Dead ou Cillian Murphy em Extermínio, sabem o que aconteceu - o apocalipse transcorre sem resistência, inercialmente, como um grande coma induzido.

Vamos usar por exemplo "a gripe suína", ela parecia uma doença que ameaçava o mundo de uma forma indescritível. Passado o pânico, percebeu-se que a mortalidade dessa doença era igual a das outras gripes comuns. É este cenário paranóico, que  é muito bem retratado em  Contágio, de uma forma bem mais avassaladora, mas não menos realista. A ideia de Contágio é contar não apenas como o apocalipse se aproxima e se estabelece, mas acompanhar a reação do cidadão comum e das principais instâncias de poder do mundo diante do fim iminente Ao mesmo tempo, Steven Soderbergh injeta inúmeras teorias de conspiração sobre a origem do vírus, tanto o lado bom e lado ruim de uma possível vacina e o que é mentira e o que é verdade sobre o assunto quando é posto na internet.

 O filme consegue equilibrar diversas tramas, numa verdadeira montanha russa de acontecimentos, nas quais, o diretor jamais deixa sair dos trilhos. Isso graças se deve também a um elenco estelar, em que cada um, interpreta um personagem que acaba desencadeando inúmeros acontecimentos colocados na tela, para então, ambos as personagens com os seus dramas pessoas em meio ao caos, se entrelacem um com os outros. De certo modo, é como se Soderbergh refizesse a pirâmide de hierarquias e responsabilidades que o diretor fez (e muito bem) em um dos seus  filmes clássicos, Traffic, mas numa chave muito mais alarmista.

O roteiro de Scott Z. Burns, autor de Ultimato Bourne que trabalhara com Soderbergh em O Desinformante, dá conta de vários personagens de forma bem satisfatória. Não há cenas descartáveis, todos os momentos com esses protagonistas têm algo a acrescentar, e ao mesmo tempo o roteiro não é expositivo em excesso. Mas  principal força de Contágio não está, porém, no roteiro, e sim na encenação. Soderbergh filma com enquadramentos "duros", de movimentos econômicos, e com a câmera à meia distância dos atores - um jeito aparentemente desapaixonado de encarar um tema tão dramático, mas esse estilo ajuda a dar ao filme um tom mais clínico. O distanciamento é uma boa forma, também, de valorizar os close-ups quando eles acontecem.

Steven Soderbergh encara o apocalipse com um misto de olho clínico e alarmismo

Por fim, Contagio é uma incrível aula de montagem onde o diretor passa em cada cena as inúmeras formas da pessoa pegar o vírus. O prólogo e o epilogo são um belo exemplo disso, onde faz também uma referencia explicita a teoria do caos ou simplesmente o efeito borboleta.

A edição nacional em Blu-Ray Disc, pela Warner Home Enterteinment, traz o filme no formato Widescreen 16:9,com áudio DTS-HD Master 5.1 (em inglês) e Dolby Digital 5.1(em espanhol e português). Como extras traz: A Realidade do Contagio; Os Detetives do Contagio e Contagio: Como um Virus Muda o Mundo.105 minutos.

domingo, 18 de agosto de 2013

Lançada em DVD pela Versátil os seis filmes do clássico japonês "Lobo Solitário"

Publicado originalmente nos anos 70 ( entre 1970 e 1976), o mangá Lobo Solitário  é uma criação do roteirista Kazuo Koike (um dos mais famosos escritores de HQs japonês, autor de sucessos como Crying Freeman) e do veterano ilustrador Goseki Kojima desta que é uma das mais importantes obras de histórias em quadrinhos de toda a história dessa mídia.No Brasil a Editora Panini Comics foi responsavel pela publicação dos 28 volumes da HQ.

A historia se passa no Japão do século XVII, isto é, no chamado período Edo e conta a saga de Itto Ogami que tem o cargo de kaishakunin, que quer dizer “o executor do imperador”, uma figura temida e odiada por quase todos os senhores feudais. Por meio de uma falsa denúncia de traição do clã Yagyu faz com que ele caia em desgraça. Assim, toda a sua família, inclusive a esposa é executada e, por isso, ele vagueia pelo país com seu filhinho recém-nascido, Daigoro, em busca de vingança. Este é o inicio da saga de um ronin, ou seja, um samurai sem mestre que se tornou assassino: um kozuri, e que envolve traições, honra, família e filosofia samurai. 

Todos os 6 filmes são protagonizados por Tomisaburo Wakayama,e foram  produzidos entre 1972 e 1974 é e clara sua influencia em muita gente de cinema como Quentin Tarantino, Frank Miller, John Carpenter ¸ além de ter inspirado outros filmes, como Estrada para Perdição e o recente Wolverine Imortal do diretor James Mangold.

Em Lobo Solitário temos todos os elementos que Kurosawa condensou em Os sete samurais para criar a ação do filme - câmera-lenta, zoom, cortes rebuscados - são transpostos com muito êxito para o papel. Analisando os filmes em mais profundidade podemos identificar uma notável influência de Sergio Leone e Sam Peckinpah nos frequentes duelos e massacres, só que com muito mais sangue, o que nos remete a Tarantino. Não poderia ser diferente, uma vez que para ser fiel ao roteiro das revistas implica em realizar um filme tão absurdamente violento, que muitas vezes chega a beirar o cômico. Mesmo tratando o material com seriedade, é impossível manter o tom do gibi e, vez ou outra, o realismo descamba para o ridículo. Ainda assim, a saga é boa e faz jus a uma das HQs mais importantes de todos os tempos.

Nos seis filmes que compõem a serie, vamos encontrar dos os trejeitos de cinema B, o que se justifica levando em conta que os mesmos foram realizados no pequeno espaço de apenas três anos, ou seja, vapt-vupt. Isso significa resumir mais de oito mil páginas e cento e quarenta capítulos, dando coerência a eventos que são desenvolvidos vagarosamente nas revistas. Mas o grosso da história do samurai Itto Ogami está lá.




Agora graças a uma caprichada edição de colecionador é lançada em DVD pela Versátil a série completa e inédita com os seis filmes do “Lobo Solitário” numa caixa com 3 discos, esta disponível para ser vista e revista, buscando a influencia da mesma em diretores e filmes do mercado ocidental.






Para comprar: http://www.livrariascuritiba.com.br/dvd-lobo-solitario-tomisaburo-wakayama-3-dvds,product,AV093003,2763.aspx