segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Meia-Noite Em Paris (2011)

Já faz algum tempo que Woody Allen, trocou seu país natal pela Europa e lá rodou ótimos filmes como – “Vicky Cristina Barcelona” na Espanha ou “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” na Inglaterra, agora ele viaja para Paris.

Assim como fez com “Manhattan”, Allen aqui não busca um significado para sua historia, mas faz uma homenagem a Cidade Luz, como nenhum outro cineasta fez. Uma homenagem a cidade  que nos idos de 1920, foi o reduto dos grandes artistas do mundo, dos escritores americanos F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway aos pintores Pablo Picasso e Salvador Dali, passando pelo cineasta Luis Buñuel entre outros.
Allen faz uma fabula onde somos levados pelo protagonista, Gil (Owen Wilson), que tem uma visão romântica da época e gostaria de ter vivido na mesma, a uma viagem fantástica no tempo-espaço, para vivenciar os modos e costumes da maravilhosa Paris de outrora.

Voce não tem como não sair tocado desta saborasa viagem, onde Paris é filmada em seus ângulos mais encantadores e a trilha traz o melhor do jazz, como nos velhos filmes de Woody Allen.
P.S: O filme fica muito mais divertido a medida que se conheça a historia dos artistas que desfilam pela tela, do rude Hemingway ao doido Dalí.

Não deixe de ver!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Precisamos falar Sobre Kevin (2011)

Na primeira cena de “Precisamos falar Sobre Kevin” somos mergulhados em uma tela que se enche de vermelho, vermelho este que será uma constante em todo o filme seja ostensivamente num pára-brisa coberto da cor ou num pequeno cinzeiro em outra cena. Esta cena inicial que representa a felicidade expressa na festa espanhola da “Tomatina”, onde a diversão e jogar tomates  ou mergulhar os participantes em molho do fruto logo nos fará ver que tudo não passa de uma analogia ao drama o qual seremos apresentados. “Precisamos falar Sobre Kevin” é algo que ao longo do filme nunca é posto em discussão. O que iremos acompanhar é o drama de uma mãe (Tilda Swinton, num desempenho surpreendente) e a perturbadora meditação da mesma sobre os fatos que levaram seu filho a cometer uma chacina.

O romance de Lionel Shriver foi adaptado de forma onde fatos são apresentados cronologicamente fragmentados, onde as imagens, as situações e os silêncios nos levam a sensações de intenso desconforto num filme claustrofóbico e deprimente.

O filme nos leva a refleti sobre vários questionamentos: Será que a mãe que tanto se culpa, em função da dificuldade que sentia de amar seu filho desde bebe, tem realmente culpa do ocorrido? Pode uma mãe amar incondicionalmente seu filho desde o seu nascimento? E seu você não o amar? E se ele não amar você? Kevin é um bebe difícil que desde pequeno parece preferir o pai, um verdadeiro banana, teria nascido com uma índole malévola? E se este bebê crescer e vier a se tornar algo ameaçador e aterrorizante?

Um filme com desempenhos majestosos de Tilda Swinton e Ezra Miller (Kevin adolescente) onde as questões abordadas demonstram a mais dura realidade, especialmente em um mundo onde o termo “inocência infantil” está perdendo todo o significado.

Não deixe de Ver!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Festival de Cinema (Bom Dia SC - 24/01/2012)

Blumenau se prepara para receber Festival de Cinema (Bom Dia SC - 24/01/2012)

Materia exibida na data de hoje onde é feita uma homenagem ao meu pai  - Herbert Holetz.

O Festival de Cinema de Blumenau receberá inscrições para a Mostra HERBERT HOLETZ, Mostra JORNALISTA FERNANDO ARTECHE HAMILTON, Mostra de VIDEOCLIPES CATARINENSES e para 2ª Mostra de Cinema Infantojuvenil de Blumenau* até o dia 24 de fevereiro. Poderão participar da Mostra Competitiva HERBERT HOLETZ (Júri Oficial) filmes de ficção, documentários e animação brasileiros de curta e longa-metragem, concluídos a partir de janeiro de 2007. Serão aceitas na Mostra JORNALISTA FERNANDO ARTECHE (Júri Universitário), produções universitárias e filmes independentes, concluídos a partir de janeiro de 2007. Na Mostra de VIDEOCLIPES CATARINENSES (Júri Jovem), poderão participar produções concluídas a partir de janeiro de 2007.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Amor À Toda Prova (2011)

Apesar de não ter gostado de “O Golpista do Ano”, não posso negar que a dupla de cineastas Glenn Ficarra e John  Requa sabem arrancar boas performances do seu elenco. O mesmo ocorre aqui principalmente com Ryan Gosling que mostra que tem talento também para a comedia ainda mais contracenando com Steve Carell.

Ryan Gosling em uma declaração disse – “ Eu andava meio estressado depois de fazer tantos filmes pesados, fui ao médico e  ele me deu uma receita que dizia: faça uma comedia. Eu fiz e me sinto muito melhor”.
O filme conta basicamente a historia de um homem recém-divorciado que se aventura na vida de solteiro, após ser devidamente treinado por um conquistador ultra tarimbado. O filme é uma colcha de retalhos de relações amorosas que como pode se concluir irão se resolver ao final do filme, mas o roteiro de Dan Fogelman , consegue dar o timing certo para cada relacionamento, com um humor refinado e com alguns bons momentos principalmente envolvendo coadjuvantes principalmente os de Marisa Tomei que vive o papel de uma professora.

O que estraga o filme é o moralismo que permeia o filme e as vezes escorrega em cenas um tanto açucaradas. Mas é uma comedia acima da media.

50% (2011)


O filme "50%" tem como mérito provar que temas muito batidos e já explorados podem ser novamente contados sem cair na pieguice e no vazio de todos os temas clichês. O roteirista Will Reiser tinha 24 anos quando teve um diagnóstico positivo de um tipo raro de câncer que lhe dava um percentual de 50% de chance de cura, daí o titulo do filme. Reiser e Rogen, que interpreta Kyle no filme, são grandes amigos e, superadas as dificuldades, Rogen convenceu Reiser a transferir sua batalha para o papel, como meio de exorcizar as dificuldades passadas.
Outro ponto positivo do filme é que o mesmo tem a capacidade de nos levar do riso ao choro; sem que isso signifique que é extremamente dramático, ao ponto de provocar enjoou-os, ou que explore até não poder mais as conseqüências de uma doença tão fatal como o câncer. A dupla conseguiu explorar o absurdo da situação e encontrar humos neste momento de tragédia, como meio de amenizar a dura jornada passada pelo personagem central vivido por Joseph Gordon-Levitt.

Joseph Gordon-Levitt nos da uma interpretação brilhante e emocionante, que faz um estilo contido, metódico que tenta encarar a situação com a maior serenidade possível. Já Seth Rogen vivendo Kyle, é aquele amigão do peito, que vê na doença do amigo uma oportunidade de “pegar garotas” que se comovem com a situação. No decorrer do filme nos são apresentados vários personagens e o que vemos é que ninguém esta preparado para lidar com esta situação limite.

O filme é conduzido com delicadeza pelo desconhecido Jonathan Levine, e a grande sacada do filme é a dica sutil e valiosa deixada por ele: Tire o melhor do pior.

Veja!

sábado, 21 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim (2011)

Nos idos dos anos 80 fui apresentado aos quadrinhos criados por Hergé pelas mãos do meu grande amigo Georges Rul um dos seguidores do Blog. Assim como com Asterix e Obelix, foi paixão na primeira aventura e então passei a ler e colecionar todos os livros publicados.

A primeira coisa que chama a atenção é a primorosa direção de Arte, pois os cenários do filme são tão minuciosos que tudo parece que foi estudado milimetricamente e o resultado é um espetáculo de técnica e perspicácia.
Juntos Spielberg e Peter Jackson (produção) acertam a mão ao levar para a telona as aventuras do repórter Tintim. Movimentos de câmera incríveis e muita ação nesta fiel aventura adaptada dos quadrinhos. Tão fiel que já rendeu indicação ao Golden Satellites de melhor roteiro adaptado. Ditando o ritmo frenético, temos um grande parceiro de Spielberg, John Williams (trilha sonora). É notória a homenagem e referência a Indiana Jones, faltando apenas o carisma de Harrison Ford nas escapadas de Tintim. O que temos é uma aventura bem comum, mas que funciona muito bem. Spielberg demonstra, mais uma vez, uma maestria incrível para contar histórias simples.

“As Aventuras de Tintim” tem como base os quadrinhos “O Segredo do Licorne” e relata as aventuras de Tintim (Jamie Bell) o jovem repórter que está sempre atrás de uma boa reportagem. Após comprar uma réplica de um antigo galeão, acaba se deparando com fatos mistérios que o levam a uma nova aventura. O galeão desperta o interesse de outras pessoas e Tintim terá que descobrir o que está por trás de toda essa confusão. Assassinato, roubo, traição, um tesouro escondido e muita perseguição. Daniel Craig incorpora o vilão vingativo Red Rackham, enquanto Andy Serkis faz o esquecido e alcoólatra Capitão Haddock. TinTim terá que ajudar o Capitão e desvendar todo mistério por trás dessa louca busca por um tesouro escondido.
É prazeroso ver Spielberg de volta as grandes aventuras dos anos 80 apoiado por um time muito bom. É um filme pop e muito divertido, com seqüências de ação impecáveis. Que venha a continuação.

Um Conto Chinês (2011)

Após nos ser anunciado que o filme é baseado em uma historia real, o diretor portenho Sebastián Borensztein, nos apresenta uma insólita cena de prólogo que foi inspirada em uma noticia lida por ele em 2007.E baseado nesta tragédia absurda ( que prefiro não revelar, para não tirar o impacto), Borensztein criou o resto da trama para justificar o começo.

Passamos então a conhecer Roberto (Ricardo Darin, um dos grandes atores da atualidade) um personagem solitário, muito mal humorado e veterano da Guerra das Malvinas. Por conta de um duro revés, vive há quase vinte anos recluso em sua casa, sem contato com o mundo. Roberto é pra lá de sistemático, dorme sempre na hora certa, tem poucos amigos e coleciona manias, entre elas recortar notícias absurdas de variadas publicações. Este seu mundo é profundamente abalado quando o destino lhe reserva uma surpresa. Num momento de bondade ele oferece ajuda para Jun (Ignacio Huang) jogado - literalmente - em seu caminho, dando início a uma verdadeira via crucis e uma atípica amizade entre um argentino que não fala chinês e um chinês que não fala castelhano, a qual ira mudar profundamente a vida de ambos.
As tentativas de Roberto de se livrar do “estorvo chinês” rendem cenas muito engraçadas, mas é na convivência forcada entre eles que esta o lirismo do filme. O roteiro explora de maneira excepcional o fato de um não saber falar a língua do outro e reforça essa conexão diferente, que vai ficando cada vez mais forte entre eles e também com o espectador na medida em que a trama vai se descortinando, carregada de dor e floreada de humor, te envolvendo-nos de forma natural.
Maravilhosamente roteirizado e dirigido por Sebastián Borensztein, em seu terceiro longa,o filme encontra na sutileza o segredo de fazer humor com emoção.
Com um roteiro construído com sutilezas amassadas pela rudez do protagonista, a poesia presente em seu final é a prova cabal de que se está diante de uma história bem contada e imperdível.
Não deixe de Ver!