sexta-feira, 30 de julho de 2010

Onde os Fracos não Têm Vez (2007)

Aqui temos um western diferente, ambientado nos anos 80 e que relata a historia de Llewelyn Moss (Josh Brolin), um texano comum, encontra uma picape cercada por homens mortos com uma carga de heroína e dois milhões de dólares na caçamba. Ao resolver pegar o dinheiro, dá início a uma catastrófica reação em cadeia de violência, que nem mesmo a lei, personificada no envelhecido e desiludido xerife Bell (Tommy Lee Jones), pode conter. Ao mesmo tempo em que desconstrói o herói do western, Onde os Fracos não Têm Vez constrói em Anton Chigurh (Javier Bardem) inesquecível, um mito, uma Lenda.

Ao xerife interpretado por Tommy Lee Jones cabe não apenas maximizar a lenda de Chigurh como manter no chão o mundano Llewelyn. Jones serve como o narrador, o que é fundamental na construção das lendas de faroeste, e Onde os Fracos não Têm Vez respeita essa lógica.Nas cenas na delegacia e no café, o xerife e seu subalterno trocam histórias tão sangrentas e bizarras quanto essa que estamos acompanhando na tela - o que é uma forma de mitificá-la ainda mais.

Pode não ser o melhor do que os Irmãos Coen, mas o melhor desde “Fargo”.
Onde os Fracos não Têm Vez nos remete ao primeiro filme da dupla, "O Gosto de Sangue", pois tem o mesmo tipo de humor negro e retoma o uso da violência e da narrativa enxuta mas sempre poderosa. Traz uma visão pessimista do ser humano. A figura do assassino psicótico feito por Javier Bardem é tão estranha, e, por vezes, parece improvável existir um ser tão incrivelmente frio, mas será difícil esquece-lo.

Este foi o grande premiado de 2007, tanto que levou as principais premiações do cinema, inclusive os Oscar de direção, filme, ator coadjuvante (Bardem) e roteiro adaptado (também dos Coen, baseado em livro de Cormac McCarthy), tendo sido indicado ainda para as categorias de som, montagem, edição de som e fotografia. O longa não concorreu por trilha musical por uma razão muito simples: no filme não há musica,  a não ser nos letreiros finais. O que para muitos pode causar um desconforto e parecer estranho, pois deixa o filme com uma sensação de aridez.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

IMITAÇÃO DA VIDA (1959)

O filme inicia com o encontro inesperado da aspirante a atriz Lora Meredith com Annie Johnson, uma mulher negra sem casa e com quem decide partilhar o seu pequeno apartamento em troca de Annie cuidar da sua filha de 6 anos. Annie também tem uma filha da mesma idade, Sarah Jane, que, por ser filha de mãe negra e pai branco, tem uma pele muito branca e faz de tudo para passar por uma menina branca.O filme passa então a relatar a seqüência de anos que se seguem. Lora é ambiciosa e tem uma busca desenfreada pela fama e acaba por dar pouca atenção à filha que busca atenção em Steve. Lora Meredith se torna uma atriz famosa, mas infeliz ao amor. E o relacionamente entre Annie e Sarah Jane se torna cada vez mais conflitante e a mesma decide fugir por vergonha de ter uma mãe negra.


Baseado num livro de Fannie Hurst, "Imitação da Vida" é um 'remake' da primeira adaptação dessa obra para o cinema, realizada em 1934 pelo cineasta John M. Stahl, que é mais fiel á obra de Hurst.. A presente versão, dirigida pelo veterano Douglas Sirk, é seu último trabalho nos Estados Unidos, antes de retornar ao seu País de origem, a Alemanha, onde realizaria três outros filmes antes de sua morte.

O último filme de Sirk nos Estados Unidos, produzido por Ross Hunter, é tudo o que um último filme pode ser: uma despedida afetuosa, uma declaração de princípios do que é o cinema e a vida Sirk realiza um trabalho consistentemente bom, do início ao fim, no que é ajudado pela fotografia de Russell Metty e pela bela trilha sonora

No elenco, embora realize um bom trabalho, Lana Turner não chega aos pés de Claudette Colbert, da versão de 1934. No elenco coadjuvante, o maior destaque vai para Susan Kohner, no papel da complicada Sarah Jane, seguida pela ótima atuação de Juanita Moore. Por trás de seus melodramas baratos, Sirk, mais que um retrato dessa América dos anos cinqüenta, em pleno apogeu da Guerra Fria, faz um filme afetuoso sobre “a miséria da condição humana”, sobre a falência do poder.

Imitação da Vida é um melodrama de estúdio, com figurinos luxuosos, com a trilha sonora lacrimejante, amores não correspondidos, decepções. Mas Sirk explora bem os seus personagens, nunca hesita em apontar os pontos fracos dos seus mocinhos, e isso é o que dá força aos seus filmes. Neste, as mães são extremamente corajosas para vencer a vida sem seus homens, mas fracassam como mães: sua luta foi incapaz de fazer com que suas filhas tivessem uma vida melhor do que a sua. Preocupadas com suas questões pessoais (uma negligenciando, outra superprotegendo), não conseguem trocar uma única palavra verdadeira para com elas.

Outro ponto apontado por Sirk é que tudo tem um preço na vida e ele precisa ser pago conforme nossas decisões. Sirk mostra que a vida é difícil, as pessoas têm problemas e não conseguem ver coisas a um palmo do seu nariz porque têm preconceitos e limites. “Imitação da Vida” é uma tragédia porque tudo dá errado exatamente porque todos têm razão e todos se esforçam para que as coisas dêem certo.

Hoje ao rever o filme , o mesmo não teve mais o mesmo impacto de quando o vi pela primeira vez, talvez pelo tema ter sido muito explorado, por melodramas baratos e novelas globais, mas a sequencia final ainda deixa um sabor amargo e faz refletir “ do que realmente são feitos os sonhos e qual o preço estamos dispostos a pagar por eles”, ainda sendo tudo embalado pela voz de Mahalia Jackson, uma das principais cantoras gospel dos Estados Unidos, que canta "Trouble of the World".

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Melodia Imortal (1958)

Dirigido pelo subestimado George Sidney, que nunca foi devidamente reconhecido pela critica, o filme cativa a quem o assiste, tendo sido um dos maiores sucessos de bilheteria quando de seu lançamento.


"Melodia Imortal" é um ótimo filme sobre a vida de um dos maiores pianistas americanos das décadas de 30 e 40, Eddy Duchin. Acompanhamos ao longo do filme a luta de Duchin que teve sua vida marcada pelo sucesso e também pela tragédia.

Sidney demonstra uma direção segura e Tyrone Power brilha no papel do grande músico, sendo que foi dublado ao piano por Carmem Cavallaro(um dos grandes pianistas da época), mas treinou arduamente para ser convincente nas cenas que esta ao piano.

Kim Novak uma das loiras fatais de Alfred Hitchcock esta mais linda do que jamais esteve, no papel de um socialite que primeiramente ajuda Duchin e depois se torna sua esposa.

A trilha sonora do filme é esplêndida, marcada por grandes temas musicais como Noturno Op. 9 de Chopin e outros mais simples como Bife/Chopsticks que Duchin executa para um grupo de crianças no front da Segunda Guerra Mundial, temos até "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso.

Há, ainda, várias seqüências marcantes como, por exemplo, aquela em que Duchin fala para Chiquita sobre seu amor por Marjorie, ou as cenas finais quando ele toca em dueto com o filho.

O filme mostra uma Nova York lindamente fotografada, mas que se perde no DVD, pois a versão lançada no Brasil não é widescreen, uma bela mancada da Columbia, pois George Sidney tinha grande domínio sobre o uso do widescreen na época conhecido como cinemascope.

INDICAÇÕES

Oscar de Melhor Fotografia

Oscar de Melhor Trilha Sonora de um Musical

Oscar de Melhor Gravação de Som

Oscar de Melhor Roteiro

terça-feira, 27 de julho de 2010

Toy Story 3 (2010)

A 15 anos a Pixar encantou o mundo com o primeiro Toy Story, que alem de ser uma revolução na animação tinha uma historia fascinante. Perdi a conta de quantas vezes assisti o mesmo com meu filho em DVD, e esta semana revi-o novamente, mas agora com minha filha.


A genialidade deste terceiro episódio já começa na premissa da trama. A passagem de tempo em relação ao último filme é respeitada e agora Andy está prestes a ingressar na faculdade e deixar sua casa. Seus brinquedos agora estão guardados em um baú, inclusive o cowboy Woddy (Tom Hanks) e o Patrulheiro Espacial Buzz Lightyear (Tim Allen). Deste modo Andy precisa separar o que vai levar; o que fica no sótão e o que será doado ou ira para o lixo. Partindo desta premissa, esta nova aventura nos leva a refletir sobre diversos pontos como amizade, amadurecimento, fidelidade e união entre amigos.

O filme é repleto de referencias, para quem acompanhou a serie, e a passagem dos brinquedos pela creche Sunnyside e impagável. Outro momento fantástico é quando Buzz parte para ser um “Amante Latino”.

Além de ser um excelente filme infantil não deixa de haver momentos de diversão para os adultos principalmente nas piadas referentes ao personagem do Bob, sim o namoradinho da Barbie.

Lee Unkrich, que dirige este terceiro filme e foi montador dos dois anteriores, conseguiu tocar uma grande abrangência de temas, sem perder a agilidade, o ritmo e sem deixar arrestas, talvez por isso a diversão seja tão agradável para crianças e adultos. Unkrich finaliza o filme de forma brilhante, fazendo o espectador principalmente os adultos lembrarem o prazer de brincar e ser feliz. Portanto, assista e prepare seu lenço. É difícil não se emocionar ao término da sessão.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Embriaguez do Sucesso (1957)

Em clima de film noir, "A Embriaguez do Sucesso" é uma sátira maravilhosamente amarga sobre o mundo da midia, principalmente a jornalistica. Com uma descrição fria e impiedosa dos bastidores do jornalismo escrito, inspirada na figura de um colunista real, Walter Winchell.
Lancaster como o monstruoso colunista J.J.Hunsecker está num de seus melhores momentos, vivendo um jornalista cujo imenso poder não impede que sua irmã, por quem ele tem claramente um amor incestuoso, namore um jovem músico de jazz.

Tony Curtis também brilha no papel do assessor de imprensa puxa-saco, Sidney Falco que bajula Hunsecker de todas as maneiras, e que esta numa escalada para destruir a própria vida, na busca do sucesso pessoal. Dificilmente houve no cinema dois personagens tão antipáticos e pouco heróicos.

Uma frase deixa bem claro o poder e a monstruosidade de Hunsecker – “Quero ver você se igualar a mim,Sidney”

Para os amantes de Jazz o filme é um prato cheio, com uma trilha sonora de Chico Hamilton, que nos conduz através da noite Nova Iorquina, com seus bares agitados e esfumaçados onde todos se curvam as vontades de Hunsecher e se vendem desesperados por breves menções em sua coluna.

O roteirista Ernest Lehman (de "A Noviça Rebelde" e "Intriga Internacional") foi assessor de imprensa na Broadway, por isso conhecia bem o assunto quando escreveu o livro sobre os colunistas de jornal e seus assistentes, que originou esta produção do próprio astro Burt Lancaster (1913-1994). O roteiro teve ajuda do famoso dramaturgo de esquerda Clifford Odets.

O filme foi um fracasso nas bilheterias e só com o tempo virou cult, e hoje é constantemente citado nas listas dos melhores filmes.

Um dos raros trabalhos em Hollywood do diretor de comédias dos Estudios Ealing, o inglês Alexander Mackendrick,que nos conta uma historia de frenesi violento. "A Embriaguez do Sucesso" conta uma história sórdida, na qual quase todo mundo é podre, com diálogos cínicos e até cruéis. O filme foi rodado quase inteiramente em locações noturnas nas ruas e bares de Nova York, com a fotografia em preto e branco que chega a ser uma sinfonia do mestre James Wong Howe.

- "fascinante e irresistível história" (The Hollywood Reporter)

- "rigorosa direção e diálogos afiados" (Time Magazine).

"A Embriaguez do Sucesso" é dinâmico e intenso e expõe um lado obscuro da glamorosa vida noturna de Nova York, revelando aspectos como ambição, corrupção, traição, cinismo e violência psicológica.

Enfim, "A Embriaguez do Sucesso" é, sem dúvida, um clássico e um filme imperdível.

domingo, 25 de julho de 2010

Uma Cidade que Surge (1939)

Este foi um western de primeira produzido pela Warner, com um elenco de estrelas e o primeiro dos oito faroestes que Flynn estrelou, demonstrando que era tão competente com a pistola, quanto com uma espada. "Errol Flynn vai ao Oeste", esta era a chamada publicitária de UMA CIDADE QUE SURGE. O maior astro de ação da época estréia no gênero em grande estilo, numa produção classe A que o reúne com os parceiros de sempre Michael Curtiz e Olivia De Havilland.


Flynn faz Wade Hatton, um aventureiro que ajuda na fundação da cidade de Dodge City do título original, mas sua natureza errante o leva para outros caminhos até que um dia retorna à cidade, encontrando-a afundada na lama e na violência. Mesmo contra a sua vontade, assume o cargo de xerife e decide colocar ordem na casa. Ele enfrenta multidões doidas por um linchamento, põe hordas de foras-da-lei atrás das grades e escapa de um vagão incendiado (ao lado da co-estrela do filme, Olivia de Havilland) em uma perigosa cena de ação e ainda fazendo frente ao vilão vivido por Bruce Cabot .Temos ainda em cena a também estrela Ann Sheridan como dançarina de um Saloon amante de Cabot.

Uma das cenas mais famosas da época se passa em uma briga de saloon que deve ter usado cada dublê disponível em Hollywood, totalmente filmada no belo Technicolor coisa rara na época.

Apesar de não ser um clássico como NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (lançado no mesmo ano), este foi um dos filmes que elevaram o western a gênero de prestígio, após amargar a década de 30 confinado em produções B. Obviamente não tem o mesmo peso artístico do filme de John Ford, mas é uma senhora aventura, do tipo que só Curtiz-Flynn-Havilland faziam: ação, romance, comédia, heroísmo e leveza narrativa, embalados como sempre por uma trilha absolutamente maravilhosa de Max Steiner.

UMA CIDADE QUE SURGE pode ser considerado o um filme de clichês, mas lembre-se que ele é de 1939, então ele pode ser sim o pai dos clichês. Temos aqui a briga no saloon, estouros de boiadas, vagões em chamas e a divisão clara entre o bem e o mal, elementos batidos hoje, mas que graças à competência de Curtiz, mantém o frescor que tinham na época.

Uma curiosidade seria que UMA CIDADE QUE SURGE teria sido o filme que inspirou Mel Brooks a fazer a paródia "Banzé no Oeste" ("Blazing Saddles").

Para os apaixonados por western.

Arquivo X – Eu Quero Acreditar (2008)

Como fã de carteirinha da grandiosa serie Arquivo X, que acompanhei a mesma por nove anos, de 1993 a 2002. Ganhadora de três Globos de Ouro (filme, ator e atriz) e 16 Emmys (o Oscar da televisão), o seriado conquistou uma legião de seguidores comparável a de Star Trek e Star Wars e que têm com os personagens principais, Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) algo em comum: a curiosidade por verdades que estão lá fora, em algum lugar, que só podem ser vislumbradas por aqueles que se dispõe a ir muito além dos padrões estabelecidos por nossa cultura convencional. Em Arquivo X o improvável, o inaceitável, é tudo o que se pode esperar. O ressurgimento do seriado, agora em nova segunda versão cinematográfica, há muito era aguardado pelos fãs e chega envolvido em um sentimento de nostalgia inevitável. Mas foi para mim uma decepção esta volta dos agentes Mulder e Scully para o cinema.


Seis anos se passaram desde o final da serie, e os agentes Fox Mulder e Dana Scully, são chamados de volta pelo FBI, quando um padre em fase terminal, acusado de pedofilia ajuda os agentes na busca de um grupo de mulheres desaparecidas.

Chris Carter manteve a história guardada a sete chaves, revelando apenas trata-se de uma história independente, nos moldes de alguns dos episódios mais aclamados da série, que conduz o complicado relacionamento entre Fox Mulder e Dana Scully por caminhos inesperados. O novo filme traz o senso crítico e o humor acido dos comentários de Mulder sobre o governo americano, mas também perde ao dar uma visão superficial sobre as discussões sobre as experiências genéticas, sobre a paranormalidade e ainda por apresentar soluções fáceis e não ousadas para questões antigas. Tudo isso deixa certa sensação de frustração ao se considerar todo o histórico de Arquivo X. Desculpe-me Carter, mas sua declaração é um equivoco, pois a trama é ruim, lembra mais os filmes de ficção B dos anos 60/70 do que a gloriosa serie.

Um filme é eficiente em si mesmo, mas poderia ser melhor.