domingo, 2 de junho de 2013

Revendo O Destino Bate à Sua Porta (1946) - Blu-ray

Quando foi publicado em 1934, o livro de James Cain chocou tanto o público americano que foi condenado por imoralidade e proibido de circular em Boston.O filme teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1946 com Lana Turner, mais lida do que nunca, e em 1981, uma refilmagem com Jack Nicholson e Jessica Lange, os dois filmes tiveram interpretações magistrais, mas a de 1946 ainda na aponião deste humilde cinéfilo é melhor. Na verdade, neste romance noir a violência e o erotismo estão organizados de uma tal maneira que dificilmente perderão força. Um texto seco, uma trama cerrada e caracterização impecável dos personagens são as grandes virtudes deste clássico.

O filme inicia com um andarilho Frank Chambers (John Garfield) caminhando a beira da estrada pedindo carona, seu desejo é atendido quando um velinho boa gente (Cecil Kellaway) lhe oferece ajuda. Ao chegarem ao restaurante de estrada do Sr. Smith vemos uma placa do lado de fora que diz "Procura-se Homem" - frase já deixa uma dualidade no ar que pode ter mais de um significado. Frank Chambers sabe e percebe isso no momento em que conhece Cora, a jovem noiva do proprietário do restaurante, que casou com o mesmo por pura ambição.

A cena onde Frank conhece Cora é simplesmente fantástica “onde um batom vem rolando e a câmera faz o caminho contrario até enquadrar as pernas de Cora. Neste momento vemos Frank literalmente perder o fôlego e a câmera volta a enquadrar Cora de corpo inteiro.

Esse requintado clássico do film-noir combina o brilho dos estúdios com a fixação de Cain por atrações assassinas. John Garfield e Lana Turner mostram performances marcantes como Frank e Cora, amantes que arruínam a primeira tentativa de assassinar o marido de Cora, traem-se mutuamente no julgamento e, ainda assim, acabam se dando bem. Mas, esse conto volátil não acaba por aqui. Como o título do filme indica, o destino com certeza baterá novamente.

Lana passa o filme inteiro com um figurino branco e glamourizado pela iluminação.


Sobre o BD
Com uma imagem fantástica belissimamente restaurada, o filme contem ainda uma serie de extras:
- Introdução de Richard Jewel;
- Lana Turner... A Memória de uma Filha;
- A História de John Garfield
- E mais...

Trailer : http://www.youtube.com/watch?v=Mi4UaQWN_H8&feature=related

Segue abaixo linka da Livraria Catarinense onde comprei o mesmo:




sábado, 1 de junho de 2013

AMOR (2012)

Amor, para mim foi um dos melhores filmes que assisti no  ano, com uma mensagem maravilhosa e realista ao mesmo tempo. Maravilhosa, pois trata do amor de duas pessoas, suas lembranças, seus sacrifícios e por fim o companheirismo ao final da vida. Realista pois retrada as dificuldades que advém com a velhice, as doenças, a impotência perante o final.

O filme retrata a historia de Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), só este dois ícones do cinema Frances já valem o filme. Eles vivem um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado, e assim  inicia a via crúcis do casal ou o início da grande prova de amor entre eles. 

Mas a maior surpresa é descobrir que o diretor do mesmo é Michael Haneke  que é conhecido pela crueza de seus filmes – não apenas pelo estilo direto das histórias, mas também pelo incômodo que por vezes causa no espectador. Para mim imaginar  Haneke fazer um filme de amor foi de total espanto, afinal de contas um romance tradicional está bem longe do perfil do cinema do diretor. Entretanto, ao assistir o longa-metragem fica bem nítido o quanto Amor, o filme, se enquadra dentro da filmografia de Haneke.

Haneke nos leva a acompanhar de forma paulatina a degeneração do corpo e da mente de Anne (Riva) o que torna Amor um filme bastante duro, já que ressalta ao público a dor alheia a impossibilidade de melhora e as dificuldades que advem com a velhice . Se por um lado pode parecer um tanto quanto cruel, este cenário é essencial para que Haneke possa expor sua teoria acerca do amor. Neste sentido, pode-se dizer que Amor seja, na verdade, um filme conceito, onde o ideal envolvido está acima de todo o restante. É também o que justifica o ambiente intimista que cerca o casal, já que não há necessidade real de nada além deles próprios e da casa em que vivem. A solidão autoimposta faz parte da prova de amor.

VEJA!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Curtas

Separei aqui alguns curtas que valem ser assistidos. Espero que vocês curtam.

Bolero de Ravel em animação
http://www.youtube.com/embed/rvYHYUkwBe4

Invention of Love (2010)

Life A short love story

What is love?

One Life - Amazing Animation by Corey Hayes

The Dangers of Fame - Amazing Aniboom Animation

Bad Eggs Short Animation

"Heavenly Appeals" a short film by David Lisbe

domingo, 5 de maio de 2013

Cinerama resgata o charme dos cinemas de rua em Balneário Camboriú


Festival que reúne filme de diversos países termina neste domingo


Materia publicada no Jornal A Hora de Santa Catarina

O burburinho dos cinéfilos em frente ao Cine Itália resgatou, nos últimos dias, a aura dos antigos cinemas de rua em Balneário Camboriú. Durante o festival Cinerama.BC, que termina neste domingo, o espaço de 700 lugares - remanescente da sétima arte na Avenida Central, uma das principais vias de Balneário Camboriú - voltou a receber o público e a se encher com o barulho dos projetores. Uma saudosa lembrança para quem viveu os tempos áureos do cinema, quando as sessões eram mais do que diversão.

http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/3235399.gifVídeo conta um pouco da história do cinema em Balneário Camboriú


- O cinema de rua tinha glamour. Todo mundo colocava a melhor roupa, era um acontecimento social - diz Fernando Delatorre, administrador do Cine Itália e filho de Eduardo Delatorre, pioneiro das salas de cinema na cidade.

Contador por formação, Eduardo encontrou na sétima arte sua maior paixão. Tanto que fez apenas duas grandes viagens na vida: uma para conhecer os estúdios de Hollywood, nos Estados Unidos, e outra para a Europa, para passear pelos locais onde foram filmados os grandes clássicos do faroeste.

Em 1967, três anos após a emancipação de Balneário, Eduardo inaugurou o primeiro cinema do município - o Cinerama, em plena Avenida Brasil. Dotada de alta tecnologia para a época, com capacidade para transmitir películas em 70 milímetros, a sala era ponto de encontro para políticos de todo o Estado e também para beldades como Vera Fischer, que frequentava o Cinerama aos fins de semana. Foi ali, também, que Balneário recebeu a primeira visita oficial de um presidente, João Batista Figueiredo.

Empolgado com o sucesso, Eduardo construiria ainda dois outros cinemas em Balneário, o Cine Itália, aberto em 1984, e o Auto Cine, de 1973 -  um dos únicos cinemas drive-in do país, na Avenida do Estado.

Decadência

Os negócios foram bem até que a popularização das TVs e dos aparelhos de videocassete, além da chegada das primeiras salas de cinema aos shoppings, passaram a inviabilizar os cinemas de rua. Em Balneário, o primeiro a fechar foi o Cinerama, por falta de público. O prédio deu lugar a um centro de compras, que mantém o nome do antigo cinema.

Três anos depois, o Auto Cine transmitiu sua última sessão. Sobrou apenas a gigantesca tela, que tinha a altura de um prédio de seis andares e acabou demolida no ano passado.

O Cine Itália permaneceu aberto em homenagem a Eduardo Delatorre, que morreu em 2003. Hoje, funciona a maior parte do tempo como centro de eventos. Mesmo sem esperanças de ver o cinema de rua funcionando outra vez, devido à chegada de novas mídias para transmissão da sétima arte, vez ou outra Fernando faz uma sessão exclusiva, para matar a saudade.

- Como os equipamentos não podem ficar parados, reunimos de vez em quando alguns amigos e exibimos filmes, como Cinema Paradiso. Acho que a ideia de trazer o Cinerama.BC para o Cine Itália foi uma iniciativa feliz porque é uma forma de resgate disso tudo. Quando se assiste a um filme no cinema, a emoção é outra.

Museu

Para eternizar as memórias do cinema em Balneário, Fernando Delatorre pretende inaugurar, em 2014, um Museu da Imagem e do Som. O prédio, na Rua 700, está sendo construído com recursos do empresário, e vai abrigar as cerca de 400 peças que ele mantém - entre projetores de cinema, câmeras fotográficas e equipamentos de som.

Delatorre revela pelo menos uma das surpresas que o museu trará ao público: uma réplica do carro protagonista de Se Meu Fusca Falasse, de 1968. O carro está pronto, aguardando a abertura do museu.

"Tinha esperança de que ia voltar"


Aos 70 anos, Almiro Pereira, o Bilo, lembra como se fosse hoje a última sessão do Auto Cine, em Balneário Camboriú. Era ela quem cuidava das máquinas e projetava na tela os filmes, que embalaram moradores e turistas por mais de 20 anos. Naquele sábado à noite, em 1998, Bilo foi tomado pela tristeza. Durante meses, continuou voltando para trocar o óleo das máquinas de projeção - até que se convenceu de que era o fim.

- Minha esperança era que voltasse a funcionar - diz.

A história dele com o cinema começou na adolescência, quando trabalhou na distribuição de cartazes do Cine Rio Sul, em Rio do Sul. Um dia, pediu para ver de onde saíam as imagens que apareciam na tela e começou a aprender a projeção.

Bilo chegou a Balneário em 1978, quando começou a trabalhar no Auto Cine. Após o fechamento, ajudou nas projeções do Cine Itália, temporariamente, e trabalhou como motorista para Eduardo Delatorre, pioneiro das salas de cinema em Balneário, por mais 10 anos.

- Ainda vou no cinema às vezes, mas não é mais a mesma coisa. 

sábado, 20 de abril de 2013

Um ser humano admirável

Não é apenas a paixão ilimitada pelo cinema que faz Herbert Holetz ser admirável. Apesar do vasto conhecimento nesse mundo da ilusão, não gosta de holofotes e insiste em dizer que sabe pouco. Prefere o anonimato e esforça-se por passar despercebido. Mas este homem esguio de cabelos brancos, que desfila pela Rua XV de Novembro sempre impecavelmente vestido com calças de prega e camisa social, não consegue esconder a popularidade no vai e vem em busca de novos filmes ou cartazes para o acervo. Recebe manifestações de carinho e afeto por onde passa. Sempre solícito, não nega o empréstimo de materiais raros da coleção, para quem o pedir – para o desespero da historiadora responsável pelo Arquivo Histórico de Blumenau, Sueli Petry, que defende um controle mais rígido da coleção.

O motivo das conversas com ele sempre é o mesmo. Respira cinema por todos os poros e tem na arte o oxigênio da própria vida. Nos nossos encontros, Holetz repete uma frase com frequência: “quero ter um milhão de amigos”. Desde que o conheci, numa sessão de cinema do Programa Cine Arte, da Fundação Cultural de Blumenau, em 2004, tive a certeza de estar diante de uma rara pessoa, cujo amor pelo que faz, a torna difícil de ser compreendida aos olhos da multidão. Deixa uma lição de amor e entusiasmo de quem nunca desistiu da paixão que o faz se sentir vivo.

O poder público pode investir mais do que faz para manter uma programação rica e diferenciada fora dos grandes complexos de cinema, em Blumenau. Não dá lucro, não leva multidões, mas é necessário manter uma programação alternativa, com filmes que fogem do apelo comercial. Holetz prova que coordenar um cinema hoje, fora do circuito das grandes redes, é coisa para quem é realmente fascinado pela atividade e não se rende diante das dificuldades.

Holetz entende que o cinema não é apenas entretenimento. Na sala reservada à coleção particular, que mantém na casa onde mora, no Bairro Ribeirão Fresco, uma frase resume o pensamento que cultiva: “Cinema... o instrumento de expressão e de cultura mais perfeito de todos os tempos”. Quem conhece sua trajetória, sabe que o cinema para Holetz é uma forma de libertação. Quando tinha cinco anos, foi vítima de malária. A mãe, que já tinha perdido o primogênito, Alfredo, num acidente doméstico, superprotegeu Holetz. Isso fez com que tivesse uma infância diferente dos colegas, passando a maior parte dela em casa, aos cuidados excessivos da matriarca.

Talvez seja difícil para aqueles que não o conhecem compreender os motivos que fizeram Holetz dedicar a própria vida ao cinema. No Cinema Paradiso, o projecionista Alfredo compara o trabalho a uma escravidão. “Você fica sozinho, vê 100 vezes o mesmo filme. Só faz isso. Conversa com Garbo e Tyrone Power como louco. Trabalha como um jegue”. Holetz perdeu a conta dos feriados que passou no Cine Busch nos mais de 40 anos de trabalho. Mas, como Alfredo, a recompensa da dedicação era a alegria de ver a plateia se divertir com a exibição. Fazê-la esquecer por alguns minutos das desgraças e tragédias da vida.

A exemplo de um filme, a trajetória do cinéfilo teve momentos de ascensão e calmaria. A homenagem que recebe do Festival de Cinema de Blumenau contribui para o reconhecimento da luta que trava em defesa da preservação do patrimônio cultural. “Seo Holetz do Cinema” como passou a ser chamado, não se deixa abalar pelas amarguras da vida ou pela falta de apoio. Viu o próprio sonho desabar quando o Cine Busch fechou e lutou para evitar isso com todas as forças que pôde. Mas a maneira como resistiu às intempéries e perseguiu o sentido que deu para vida faz dele um obstinado, como Alfredo.




Fonte:http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,3735349,19455

Autora: Magali Moser

Uma Breve História do Cinema Parte I


Ano 1896 em frente ao Grand Café, situado no Boulevard des Capucines na cidade Luz – Paris. Ali se ouvia o seguinte chamado:

- Entrem senhoras e senhores! Venham ver a maravilhosa invenção dos Irmãos Lumière.

- Um franco, apenas! Entrem, entrem! Vejam o espetáculo único em todo o mundo – insistia um homem com uma bengala apontando para um letreiro onde se lia Cinématographe Lumière, instalado em cima do Grand Café.

Para iniciar o espetáculo, apagam-se as luzes da sala, e do misterioso aparelho que lembra uma Lanterna Mágica, uma luz começa a exibir imagens sobre um pano branco. E para espanto da audiência as imagens ali projetadas se movem como na vida real. Eles estão assistindo La Sortie de l'usine Lumière à Lyon (A Saída da Fábrica Lumière em Lyon). Logo depois um trem - L'Arrivée d'un train en gare de la Ciotat (Chegada de um Comboio à Estação da Ciotat) aproxima-se como se fosse atingir a plateia, que entra em pânico.Mulheres gritam; homens se atiram para o lado para não serem atigidos pelo trem – ali naquele berço nascia esta maravilha chamada cinema – “A Sétima Arte”.

Louis e Auguste eram filhos e colaboradores do industrial Antoine Lumière, fotógrafo e fabricante de películas fotográficas, proprietário da Fábrica Lumière (Usine Lumière), instalada na cidade francesa de Lyon. Tudo começou quando os irmãos tiveram a ideia de projetar as fotografias de forma animada para uma plateia. Auguste previu antes de Louis tinham em mãos uma oportunidade fantástica com a projeção das imagens. A grande dificuldade era como fazer as imagens correm no aparelho. A solução foi encontrada por Louis em uma noite insone, inspirado pelo dispositivo de encadeamento da maquina de costura. Como Auguste ocupava-se da gerência da fábrica, fundada pelo pai, deixou as pesquisas a cargo do irmão bem como a construção do primeiro aparelho. Louis imaginou a passagem do filme de uma bobina alimentadora para outra receptadora, conduzida por unhas que penetravam sucessivamente nos orifícios que ladeavam o filme. Nascia assim o primeiro projetor cinematográfico.

Os Filmes dos Lumiére - www.youtube.com/watch?v=4nj0vEO4Q6s

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Festival Internacional de Cinema de Balneário Camboriú - Cinerama.BC


O Cinerama.BC, Festival Internacional de Cinema de Balneário Camboriú, anunciou oficialmente os homenageados desta terceira edição. Entre os quatro nomes lembrados, um blumenauense. O cinéfilo, defensor do patrimônio cinematográfico regional e memória viva da sétima arte Herbert Holetz divide a homenagem com a produtora Sara Silveira, o professor e especialista em semiótica Lucio Braga e a atriz Bianca Byington. O festival ocorre a partir do dia 30. 

Saiba mais em www.cineramabc.com.br.