sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pequena miss Sunshine (2006)

Oriundos do mundo dos comerciais e videoclipes os diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris, conseguiram fazer uma mistura extremamente bem dosada de comédia e drama,fugindo das típicas grosserias escatológicas das comédias ou a pieguice dos dramas hollywoodianos da atualidade.


O filme é um tipico road-movie e lembra muito as comedias italianas de familia. No filme vamos acompanhar a insolita e hilaria viagem da desajustada familia hoover, que esta levando a pequena Olive para um concurso de beleza.

Richard (Greg Kinnear), o pai, é um mal sucedido guru de auto-ajuda tenta desesperadamente vender seu programa motivacional para atingir o sucesso. Enquanto isso, Sheryl (Toni Collette), a mãe, tenta entrosar sua excêntrica família, incluindo seu deprimido irmão (Steve Carell),um professor universitario que tentou suicidio e que acaba de sair do hospital após ser abandonado por seu namorado. Temos ainda a ala jovem: Olive (Abigail Breslin), com sete anos de idade e aspirante a rainha de concurso de beleza, e Dwayne (Paul Dano), um adolescente que lê Nietzsche e fez um voto de silêncio. Para completar a família, temos o desbocado avô (Alan Arkin), cujo comportamento maluco fez com que recentemente fosse expulso do asilo de idosos e é viciado em cocaina.

Quando Olive é convidada a participar do concurso de beleza "Little Miss Sunshine" na distante Califórnia, toda a família parte em uma velha Kombi para torcer por ela... E o resultado desse apoio é simplesmente hilário.

Esta pequena jóia do cinema independente foi descoberta durante o Festival de Sundance e mais tarde ganhou status internacional. As situações no filme são hilárias, chegando ao nonsense. Mas apesar de absurdas, são verossímeis. Essa sustentação parte da ótima interpretação de todos os atores, sendo impossível destacar apenas um. Nenhum deles fica preso em um estereótipo e disparam com igual competência os diálogos afiados escritos pelo estreante Michael Arndt, responsável pelo roteiro.

A espinha dorsal do filme é a viagem em si, mas quando a família chega ao seu destino temos um encontro com uma mensagem bem diferente. Na verdade Pequena Miss Sunshine fala sobre perdedores, vencedores e aceitação. Vale a pena conhecer esta jóia do cinema independente.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

9 - A Salvação (2009)

O estreante Shane Acker teve sua animação apadrinhada e produzida por TIM Burton, após o mesmo assistir ao curta criado como trabalho de conclusão da faculdade de Acker. E a empatia fica clara ao assistirmos a animação que contem todos os temas caros para Burton como a atmosfera sombria, objetos detalhadamente pensados e recriados e a história de um personagem solitário, que passa seus dias pensando em formas de acabar com os monstros de metal que o perseguem.


A base da historia se resume as aventuras do boneco 9 (voz original de Elijah Wood) que ao ganhar vida, se vê num mundo em que os humanos foram dizimados. Encontra uma pequena comunidade de outros como ele, escondidos das máquinas. Eles devem tomar a ofensiva de quiserem sobreviver e precisam descobrir por que as máquinas querem destrui-los. Não por acaso, aqueles que criaram os monstros que acabaram com o planeta são versões parodiadas dos nazistas e o mundo que 9 explora quando sai da sua casa é bastante similar ao que vemos em fotos da Europa destruída depois da Segunda Guerra Mundial.

Para transformar a historia do curta de Acker para o roteiro do longa-metragem, Acker teve o apoio de Pamela Pettler, que já havia trabalhado com Burton no script de A Noiva Cadáver.

Ao longo de sua aventura, 9 vai conhecendo outros como ele, que lutam para sobreviver aos ataques maquinas. Seu primeiro contato se dá com 2 (Martin Landau), exímio inventor e consertador. 5 (John C. Reilly) é o que se torna seu melhor amigo e vai junto com ele atrás de um futuro melhor. 7 (Jennifer Connely) é a menina aventureira que não sabe o que é ter medo. 8 (Fred Tatasciore) é o bruta-montes. 3 e 4 são os gêmeos curiosos e sem voz que passam o dia catalogando imagens. 6 ( Crispin Glover) é o excêntrico visionário que sabe como deter os monstros. E 1 (Christopher Plummer) é o ancião que prefere se manter escondido e salvo do que tentar mudar o mundo para melhor.

Enfim a animação produzida por Tim Burton tem visual impecável, e a cara de Tim Burton.

Terror na Antártida (2009)

Terror na Antártida (Whiteout), esta em centésimo na lista dos 100 piores filmes da última década publicada pelo site Rotten Tomatoes, que compila críticas de filmes e diz baseado nelas se um filme é bom ou não.

O filme é realmente um terror, mas para o espectador que tem um QI acima de 5% ou para quem não quer pensar ou é idiota, pois a todo momento aparece algum personagem disposto a explicar para o público o que está acontecendo na trama. Exemplo: a policial vê um rastro de sangue sobre o gelo. Aparece algum coadjuvante para dizer: “Oh, um rastro de sangue sobre o gelo”. Ou em outro momento um veículo estaciona numa gigantesca planície gelada, no meio do nada. Surge alguém para dizer: “Oh, estamos no meio do nada!”. Como diz um amigo meu, é filme bom pra passar no rádio.

Baseado na HQ independente criada por Greg Rucka e Steve Lieber, os quadrinhos têm bom ritmo, ótimo desenvolvimento de personagens, uma trama muito mais complexa e criam um forte clima de tensão, além de conseguirem de forma muito mais feliz do que a do filme para retratar a tal brancura total do título em inglês.

O diretor Dominic Sena (o mesmo de A Senha: Swordfish), conseguiu criar uma aventura que não emociona, não cria empatia com as personagens com uma trama banal e desinteressante.

Quem melhor definiu o filme foi o critico Celso Sabadin - “ O filme não é de terror. É uma aventura policial que não tem absolutamente nada de lobisomens, vampiros, zumbis, espíritos, reencarnações, PCC, Comando Vermelho, Xuxa ou qualquer outro elemento relacionado ao terror. Pode até ser um terror de filme, mas não é um filme de terror.”

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma História de Natal (1983)

Uma História de Natal (A Christmas Story, 1983), de Bob Clark , é um dos “1001 Filmes para ver antes de Morrer” citados no livro de Steven Jay Schneider, e um dos meus preferidos abordando o tema Natal, mesmo não tendo como personagem principal Papai Noel.

Baseado na história autobiográfica do humorista americano Jean Shepherd, Uma História de Natal é um dos filmes mais engraçados sobre este feriado e conta a história muito simples, humana e divertida de um garoto que deseja uma espingarda de brinquedo para o Natal.

O filme se ambienta nos anos 40, conta a história de Ralphie (Peter Billingsley) é um garotinho que sonha em ganhar uma bela espingarda vermelha de presente de Natal. A todo custo, tenta convencer seus pais superprotetores que esse é o presente ideal, mas ninguém parece querer ouví-lo, o que gera vários questionamentos negativos, inclusive do Papai-Noel. Por este e por vários motivos a espingarda torna-se um presente cada vez mais distante para ele. O filme tornou-se um clássico natalino com o passar dos anos.

O filme não só mostra as artimanhas do garoto para convencer os pais a darem o que ele quer como também oferece uma visão nostálgica da década de 40. É um filme para agradar todas as idades.

Destaque para seqüências especiais como "eu duvideodó duas vezes que você coloque a língua no poste" e o abajur de formato de perna que o pai ganha em um concurso e insiste em colocar na janela da sala!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cría Cuervos (1975)

Ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes(1976) e indicado ao Globo de Ouro(1976) bem como ao Cesar de Melhor Filme Estrangeiro, Cria Cuervos é uma obra dirigida por um dos mais importantes diretores da Espanha, Carlos Saura e esta é sua obra de maior sucesso no Brasil.


No filme, Saura faz uma analise das relações familiares durante o período franquista através da história de Ana (Geraldine Chaplin) e suas tristes lembranças de 20 anos atrás, quando aos nove anos, ela vê seus pais morrerem em um pequeno espaço de tempo. Na época, sozinha, Ana pensava ter uma estranho poder sobre a vida e a morte de seus familiares. Remorso que carregou para a fase adulta, junto com o sentimento de culpa, por achar-se a responsável pela repentina morte do pai (Héctor Alterio).

Talvez este seja o filme menos político de Saura, que em sua grande maioria abordavam o período do todo poderoso Franco, mas mesmo assim podemos fazer uma alegoria da casa de Ana com a Espanha de Franco, com seus problemas, culpas e mazelas.

O titulo provem de uma expressão popular espanhola, que reza que quem cria cuervos (não confiáveis), este lhe arrancaram os olhos.

Também fez grande sucesso na época a musica tema ouvida pela personagem Ana durante a sua infância, papel estrelado pela talentosissima menina Ana Torrente, que foi revelada em outro grande filme “ O Espírito da Colmeia”.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As Bicicletas de Belleville (2003)

Esta sensacional animação francesa e voltada para adultos mesmo não tendo nada que proíba as crianças de vê-lo, mas são poucas as que se sentiram atraídas pela historia e o jeito francês de fazer cinema.O filme lembra muito o humor de Jaques Tati (1909-1982).


As Bicicletas de Belleville conta a história de um garotinho triste chamado Champion que é adotado por sua avó, Madame Souza. Procurando fazer a vida do garoto mais feliz, a velhinha o presenteia com um cachorro, mas o animalzinho é logo esquecido pelo menino. Ainda na esperança de motivar a criança, madame Souza descobre por acaso que o menino tem um grande interesse por bicicletas, e lhe dá uma de presente.

Tudo vai bem, e com o passar dos anos, Madame Souza faz com que seu neto se submeta a um treinamento rigoroso, com ela empunhando um apito, até o dia em que Champion se torna um grande ciclista, a ponto de participar da competição Tour de France. Mas durante a corrida, o rapaz e outros ciclistas são seqüestrados por um grupo de mafiosos ítalo-americanos.

Suspeitando da situação, Madame Souza e seu fiel cão Bruno, partem numa grande aventura à procura de Champion, e no percurso recebem a ajuda das "Trigêmeas de Belleville", três mulheres que foram cantoras de cabaré nos anos 30.

Foi para mim uma grata surpresa esta animação francesa, que tem um traço muito peculiar, diferente do que estamos acostumados a ver nas produções americanas, e uma historia muito francesa. O filme é irresistível para os fãs de animação e cinema francês, se você se enquadra em um ou em ambos os casos não deixe de ver.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Hospedeiro (2006)

Em sua estréia O Hospedeiro tornou-se rapidamente o filme mais bem sucedido da historia do cinema coreano. O Hospedeiro (Gwoemul, 2006) é o mais novo trabalho do jovem Bong Joon-ho, um nome a se prestar atenção. O filme se tornou a produção mais lucrativa da história da Coréia do Sul, foi ovacionado em diversos festivais. O filme faz uma mistura de comedia, melodrama,ficção cientifica e terror, e me acreditem funciona.


A trama começa em um laboratório de uma base militar dos Estados Unidos na Coréia do Sul. Quando um deles despeja uma substância tóxica que irá escoar até o rio Han. Obviamente, o tal líquido irá gerar um mutante, um poderoso monstro que irá aterrorizar as pessoas que usam o rio como local de diversão. Com esse início, fica a impressão de mais uma produção repetitiva com os mesmos temas e situações. Que nada! Ao longo do filme, Joon-ho revitaliza o gênero. Ele cria elementos de curiosidade e suspense, que prendem o espectador em sua narrativa.

O Hospedeiro é um filme de monstro, tipo Godzilla,mas infinitamente melhor.Tem todos os elementos característicos do estilo, além de ser uma história universal, mesmo sendo encenada na Coréia do Sul, com efeitos especiais excelentes. Esta é uma produção marcada por um humor irônico, que surge nas situações mais estapafúrdias possíveis. Um humor satírico, quase absurdo. O interessante é que o tom de comédia não desvia a sua atenção. Ele é inserido para relaxar o público nos momentos mais tensos.

Ao mesmo tempo, é também uma aventura dramática embasada com um forte comentário sociopolítico. Bong Joon-ho, junto com os co-roteiristas Baek Cheol-Hyeon e Hah Joon-Won, aproveitou um incidente real que aconteceu em 2000 na Coréia do Sul para construir sua história. O filme critica abertamente o governo local e os EUA (coisa rara, porque a censura por lá é forte).O filme ganhou 14 prêmios, inclusive os festivais de cinema fantástico de Porto e Sitges. Tem certeza que o diretor Bong Joon-Ho ainda nos trará outras surpresas guarde este nome.