domingo, 11 de julho de 2010

Lanternas Vermelhas (1991)

Este é o terceiro filme e o que consagrou internacionalmente o ex-fotógrafo e brilhante diretor Zhang Yimou, hoje famoso por “Herói” e "Clã das Adagas Voadoras".

Adaptado do romance de Su Tong e roteirizado por Ni Zhen , o filme se desenrola na China, nos anos 20. Após a morte de seu pai e o conseqüente empobrecimento da família, Songlian (Gong Li), uma jovem universitária é pressionada pela madrasta a se casar com Chen Zuagian, um senhor feudal de uma poderosa família e se torna a sua quarta esposa sem nem sequer conhece-lo.

De repente, ela se vê sozinha em uma casa onde as tradições seculares são seguidas como uma lei por seu marido e todos que a habitam.

Uma das mais importantes regras é a das Lanternas Vermelhas que refere-se a ocasião onde o Senhor escolhia a esposa com qual ira passar a noite. A escolhida terá o pátio em frente ao seu quarto iluminado por Lanternas Vermelhas e também terá direito a mordomias e receberá um tratamento privilegiado por toda a criadagem. Esta antiga tradição gera disputas, intrigas e dramas entre as esposas, que lutam pelo poder.

Obra-prima do diretor Zhang Yimou, Lanternas Vermelhas possui uma fotografia espetacular e uma direção de arte ainda mais bela decorrentes da experiência de Yimou como fotografo. Este é um grande clássico do cinema mundial.

O Governo chines baniu o filme percebendo que as aparencias simbolizam um governo autoritario, na figura do senhor feudal que não dá liberdade de expressão ao indivíduo na pele de Songlian.

Não deixe de ver!

sábado, 10 de julho de 2010

Ilha do Medo (2010)


Ilha do Medo é baseado no livro Paciente 67, de Dennis Lehane, ( Sobre Meninos e Lobos) e que já dizia que a sua idéia era homenagear 2 gêneros, os filmes B e os terrores góticos. Martin Scorsese, sempre hábil em apontar a crueldade do ser humano, vide “ Os Infiltrados” sem deixar de manter as esperanças, aposta, em "Ilha do Medo", na loucura e em como o sonho é o único jeito de se proteger do mundo real.

O Filme é um suspense que se passa 1954, no auge da Guerra Fria,e a história gira em torno da procura do policial Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) por uma paciente perdida na Shutter Island, local que abriga o impenetrável Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, a fim de investigar o misterioso desaparecimento de uma assassina e os meios utilizados para tratamento dos pacientes. Se olharmos para trás em busca dos suspenses de alto nível, o que os une é a habilidade de Scorsese em acrescentar os elementos gradualmente na trama, criar as pontas de dúvida que nos mantenham interessados no filme, descobrir novas características dos personagens para, com tudo isso, chegar a um final que responda às questões desenvolvidas.

Enquanto uma tempestade se aproxima, as suspeitas ficam cada vez mais assustadoras. Dentro de um hospital assombrado pelas terríveis atitudes passadas de seus pacientes e pelos planos desconhecidos de seus médicos, Teddy começa a perceber que, quanto mais se aprofunda na investigação, mais é forçado a encarar alguns de seus piores temores. E entende que pode nunca sair vivo da ilha.

O problema de "Ilha do Medo" é pegar o atalho mais fácil, o que é de se estranhar vindo de um diretor como Scorsese, tão dedicado a contar uma história. Em vez de sugerir e desmentir, nos fazer acreditar e logo depois questionar, o roteiro nos leva a acreditar em uma história, para no final, desmenti-la por inteiro.

Claro que, no meio do caminho, Scorsese mostra como, mesmo em situações triviais, ele ainda capricha nos movimentos de câmera, na direção de atores e de arte. Existem boas seqüências de tensão dentro do manicômio e outras passagens bregas e bonitas que revelam os sonhos assustadores de Teddy.

Leonardo DiCaprio, o atual queridinho do diretor , assim como foi De Niro nos anos passados esta bem como o protagonista.Mas Ben Kingsley e Max von Sydow estão soberanos como os vilões.

Guerra ao Terror (2008)

Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008), vencedor do Oscar de melhor filme foi lançado inicialmente no Brasil direto em DVD, pois teve uma péssima bilheteria nos USA, talvez pela falta de nomes de peso no elenco, ou pelo filme abordar um tema indigesto para a nação americana.


Talvez Kathryn Bigelow (Caçadores de Emoção, K-19) tenha feito a opção de escolher atores desconhecidos e jovens para os papéis principais, com o objetivo fundamental de fazer o espectador não se identificar com as personagens, que se sujeitam a uma espécie de purgatório, um serviço da mais baixa escala do trabalho que eventualmente é executado - por caipiras, negros, latinos, suicidas - com alguma dignidade.

No caso de Guerra ao Terror, o herói, ou anti-herói, é o sargento James (Jeremy Renner). Ele chega à companhia Bravo dos fuzileiros em Bagdá faltando 38 dias para ser dispensado, e certamente vai viver cada um como se fosse o último.

Dentro de seu uniforme, o verdadeiro "armário da dor" do título original (uma roupa de proteção para os marines ) passa seus dias desarmando bombas largadas em áreas civis. Como diz a epígrafe que abre o filme (tirada do livro War is a Force That Gives Us Meaning, do jornalista e correspondente de guerra Chris Hedges), "a guerra é um vício" e James é um viciado.

É uma rotina de operariado, mas do ponto de vista da dramaturgia tem um apelo bastante forte: um filme inteiro sustentado naquele clímax clássico, cortar o fio vermelho ou o azul do detonador.

Inerente à ação há também a reflexão sobre a natureza catártica da guerra. Essa leitura psicologizante - martelada na figura constante do médico coronel da base militar - nunca é perdida de vista. Guerra ao Terror discorre sobre o vazio existencial dos pelotões - é o reforço no conceito psicanalítico do desejo de morte.

Porque não há dignidade maior da perspectiva do soldado-operário, já que a questão é dar algum sentido a guerras administrativas como essa do Iraque, do que tê-la como cicatriz.

O filme deixa claro que a guerra é vivencia na carne e pela dor e isto fica claro em duas cenas. A primeira quando James entra debaixo do chuveiro sem tirar a roupa, ainda assim escorre sangue pelo ralo. E em outra na cena do sniper no deserto, o pente de balas já vem sujo de sangue mesmo antes de disparar.

O filme deixa claro que de qualquer forma guerrear é uma escolha mecânica, alienada, que deixa um vazio no ser, tanto que James quando retorna para casa faz suas tarefas como um robô, pois já não consegue fugir de seu vicio. Pode não agradar a grande maioria dos espectadores, acostumados a ver guerras onde a ação prevalece ante a reflexão, mas não deixa de ser um retrato digno do vazio existencial da guerra

Talvez nem fosse a melhor escolha do Oscar, mas nada disso tira o seu mérito. Gostei Muito.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Distrito 9 (2009)

Produzido por Peter Jackson (Trilogia O Senhor dos Anéis) e escrito e dirigido pelo Sul Africano Neil Blomkamp, Distrito 9 nos apresenta um suspense de ficção científica totalmente diferente de tudo o que estamos acostumados a assistir.

A diferença já começa pela maneira como o diretor expõe os fatos, de forma a parecer um documentário.

O filme nos leva a um mundo no qual os alienígenas aterrisaram, mas acabaram exilados em uma favela nos limites de Johannesburg, na África do Sul. Depois de tomar conhecimento do misterioso segredo da tecnologia bélica extraterrestre, um solitário humano passa a ser caçado pelas estranhas vielas da favela alienígena e descobre o que significa ser um completo estranho em seu próprio planeta. Mas inteligentemente Blomkamp valesse da historia para fazer uma profunda critica ao Apartheid, com sua intolerância.

Outro ponto abordado e a busca de um cidadão que repentinamente tem que lutar para ter sua vida de volta.

Distrito 9 consegue a rara façanha de entreter e fazer pensar em como a intolerância, o racismo afetam o dia dos que vivem a margem da sociedade.

Mas prepare-se para cenas de podridão, explosões, desmembramentos entre outras, que chegam a chocar.

Distrito 9 é um dos grandes filmes de 2009 e merece ser visto se você tiver estomago. E como disse o critico Flávio Croffi da revista Movie – “Se você acha que Distrito 9 é um simples filme de ETs, você merece ser abduzido”.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os Assassinos (1946)

Considero este um dos grandes clássicos do Cinema Noir , entre os meus favoritos ao lado de “Laura” de Otto Preminger e “Pacto de Sangue” de Billy Wilder.Este é um típico filme Noir, sombrio, cheio de flashbacks e cujo a trama se torna cada vez mais densa e abstrata.


O filme inicia com o Sueco (Burt Lancaster), um ex-campeão de boxe que espera em um velho quarto de hotel, resignado, pelos dois assassinos profissionais que acabaram de adentrar a pequena cidade onde ele se esconde, e que deverão matá-lo.

O investigador Reardon (Edmond O'Brien), contra as ordens de seu chefe, irá pesquisar o caso do Sueco, e descobrir uma intrincada rede de traições e crimes ligados à máfia, e a bela e dissimulada Kitty Collins (Ava Gardner), uma mulher que consegue ser tão fatal quanto sensual.

Baseado num pequeno conto homônimo de Ernest Hemingway, o diretor Robert Siodmak conta a história desses personagens em uma surpreendente série de flashbacks, que se tornarão cada vez mais reveladores até o final. Este foi o filme de estréia de Burt Lancaster que era trapezista, mas virou astro em função do seu pequeno, mas excelente papel como o Sueco.

Mas a grandiosidade do produto final se deve a direção estilosa e precisa do alemão Robert Siodmak, com seu estilo expressionista acertou a mão ao adaptar a linguagem enxuta de Hemingway para o cinema.

Indicada a 4 Oscars ( Direção, Roteiro, Música e Montagem), esta obra conta com atuações estupendas de seus protagonistas, e uma trilha sonora original de Miklos Rozsa digna de premiação.

"Hellinger (produtor) garantiu a trilha sonora que realmente afetaria ânimos ao contratar Miklos Rozsa, e a música é um elemento de extrema importância para criar suspense." VARIETY STAFF.

Não deixe de ver!

Antes que o Diabo Saiba que Você esta Morto (2007)

Sidney Lumet, com “Antes que o Diabo Saiba que Você esta Morto” comprova que idade não é obstáculo para fazer grandes filmes. Ele esta com 84 anos e em plena forma, e fez um dos melhores thrillers de sua carreira.


O filme mistura suspense, ação, mistério e certas dose de Tarantino na medida certa, fazia tempo que não me envolvia tanto em uma trama tão inteligente. O mais estranho é que o filme passou despercebido nos circuitos de cinema.

O filme narra a historia de dois irmãos malandros e mal sucedidos, que necessitando rapidamente de dinheiro conspiram para realizar um crime perfeito e sem nenhuma vítima. Eles não vão usar armas, violência e não querem arrumar problema algum. Mas quando um cúmplice ignora as regras e tudo perde o controle, os irmãos se vêem diante de uma série de acontecimentos nos quais ninguém sairá ileso.

Não dá para falar muito sobre a história com chance de estragar a surpresa do filme aonde as situações vão se complicando, é se tronam quase tragicômicas.

O filme é um trabalho preciso, inteligente e com excelentes interpretações de Phillip Seymour Hoffman e Marisa Tomei.

Mas o grande trunfo do filme é o roteiro extremamente inteligente e habilidoso de um certo Kelly Masterson, do qual nunca havido ouvido falar.

Com “Antes que o Diabo Saiba que Você esta Morto” temos a certeza que o velho Lumet de “Doze Homens e Um Destino”, “Rede de Intrigas” e “ Um Dia de Cão” ainda tem muito para nos dar.

Não deixe de ver!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Livro de Eli (2010)


Em 2010 o fim dos tempos parece dominar os cinemas. “ O Livro de Eli” é mais um deles.A historia se passa em um mundo pós-apocaliptico. Neste cenário encontramos Eli (Denzel Washington),um guerreiro solitário,que caminha por uma terra devastada no que um dia foi o território dos EUA.Ele segue em direção ao Oeste numa missão que ele não entende plenamente,mas sabe que tem de cumprir.Em seu poder,está a última cópia de um livro que ele protege ferozmente com a própria vida,pois ali está a única esperança para o futuro.Só Carnegie (Gary Oldman),um senhor da guerra que se auto proclamou chefe de uma cidade de ladrões e pistoleiros,entende o poder do livro, que segundo ele é a maior arma da humanidade, capaz de conduzir ao poder quem proferir suas palavras.E por isso mesmo,está decidido a apossar-se dele.Mas nada deterá Eli em sua missão para cumprir seu destino e trazer ajuda a uma humanidade desolada.


Afastados da Direção desde “Do Inferno” os irmãos Albert e Allen Hughes, nos transportam para um mundo de paisagens rebuscadas e extremamente sóbrias de um mundo pós apocalíptico. Mas com uma direção pesada o filme se torna uma experiência sufocante e deixa o espectador cansado ficando entre um filme de western de Sergio Leone ou de Samurai de Kurosawa.. A beleza esta na fotografia toda em tons de azul e cinza. Mas o enfoque espiritual, na verdade o único toque de originalidade do enredo, fica na superficialidade.